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Heróis e vilões

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2013-12-06 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

A Todos os países têm os seus heróis. Em Portugal, concentraram-se na era dos Descobrimentos, porque foi o período em que os portugueses se superaram. Para além dos heróis , existem ainda os mitos que corporizam os defeitos e virtudes de um povo. Entre nós, há dois que sobressaem : o velho do Restelo e o D. Sebastião. O primeiro foi criado por Camões e significava a oposição à aventura e à inovação, e o apelo a um Portugal conservador e feudal. D. Sebastião existiu de facto, e simboliza a desgraça mas também a esperança em dias melhores. O fado é a marca desta cultura de alegria na dor, como dizia Almeida Garrett. Quanto aos vilões, a história é pouco elucidativa; todos os povos procuram esconder os seus traidores. Portugal não foge à regra, sendo certo que nos grandes momentos da nossa história ( 1383 e 1640) as elites bandearam-se com o inimigo.

Um desses vilões foi Miguel de Vasconcelos. Fidalgo português, como quase toda a nobreza e alto clero colaborou com a ocupação castelhana. Em 1634 foi Secretário da Fazenda , e logo depois secretário de Estado de 1635 a 1640, sob a regência de Margarida de Saboia, duquesa de Mântua, que governava Portugal em nome de Filipe IV de Espanha. Contra o acordado entre Portugal e Espanha , no tempo da União Real protagonizada por Filipe II que respeitava as leis, os territórios e os sistema fiscal de cada um dos países, Miguel de Vasconcelos passou a aplicar pesados impostos aos portugueses destinados a custear a guerra da Flandres. Era visto então como um traidor e um inimigo a abater, já que colocava os interesses de Castela acima dos interesses do seu próprio país. Não admira que o primeiro dos objetivos de 1 de dezembro de 1640 , quando invadiram o palácio real, fosse encontrar o traidor. Mas este estava escondido num armário; na altura em que se mexeu, foi encontrado, tendo sido baleado e os seu corpo atirado á rua , sujeito ás maiores barbaridades acabando comido pelos cães.

Mas já em 1383, o bispo de Lisboa, D. Martinho , suspeito de colaborar com os castelhanos, tinha sido atirado pelas janelas da Sé de Lisboa, tendo caído morto no terreiro. Segundo Fernão Lopes, “ aí o desnudaram, dando-lhe pedradas com muitos e feios doestos , até que enfadaram dele (…) e assim o arrastaram pela cidade com as vergonhosas partes descobertas e o levaram ao Rossio onde o começaram a comer os cães, que o não ousavam soterrar , e sendo já dele muito comido soterraram-no em outro dia ali no Rossio (…) por tirarem fedor dentre as suas vistas “ (Fernão Lopes, Crónica de El-Rei D. João I, capítulo 12) .
Por aqui se vê como era costume os portugueses tratarem os traidores que vendiam Portugal aos estrangeiros, seus inimigos. Agora que há pouco tempo passou o 1º de dezembro, e que por cá está a troika, ás vezes apetece revisitar a história.

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