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Haja consciência...

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Haja consciência...

Voz às Escolas

2021-02-11 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Não vou falar sobre uma das questões mais mediáticas do momento – os recursos digitais que o Ministério da Educação assumiu disponibilizar aos alunos abrangidos por apoios no âmbito da Ação Social Escolar, compromisso esse que data de há quase um ano a esta parte.
E não vou falar porque a idade tem alguns privilégios, sendo um deles o acréscimo inquestionável de uma sabedoria que só se alcança com o passar dos anos, sabedoria essa que nos permite analisar a realidade com que somos confrontados vendo para além do que é visível, no caso, em apreço, para além do que é escrito e dito.
Além do mais, dá-me um certo gozo assistir à celeuma em torno de uma questão que tem uma justificação tão simples que chega a magoar, tendo em conta a necessidade dos meios de comunicação social de abanar a monotonia das manchetes com que nos primam diariamente, porque estamos a ficar cansados da repetitividade.

A verdade, essa sim inquestionável, independentemente das justificações e da disponibilidade de cada um para acreditar em contos de fada, é que os recursos não chegaram, as escolas regressaram ao ensino à distância sem garantias quanto à retoma do seu normal funcionamento, responsabilidade que não pode ser assacada a ninguém, e, mais uma vez, as escolas “que se arranjem”.
E as escolas desgastam-se na busca de soluções transitórias (?) para que os alunos não se sintam duplamente penalizados, soluções que só têm sido viáveis pelo envolvimento das autarquias locais, despendendo avultadas verbas para que nenhum aluno fique privado do direito ao ensino por falta de recursos digitais.
Acontece que, uma vez mais, vem ao de cima uma das caraterísticas de uma sociedade que prima pelo egoísmo, pela falta de solidariedade para com aqueles que, por razões que não estão, de momento, a ser analisadas, não têm a mesma facilidade de acesso a alguns bens que, por mais essenciais que sejam, ainda são considerados como extravagâncias.

E se, já em março do ano transato, nos deparámos com este tipo de cenário, nada se compara ao panorama atual, em que diariamente nos chegam pedidos de apoio, ao nível dos recursos digitais, sendo que muitos deles são apresentados, com toda a desfaçatez, por gente que deveria ter vergonha de recorrer a qualquer tipo de apoio, sabendo que colocam em risco o desenvolvimento das aprendizagens de alunos que, verdadeiramente, precisam de ser ajudados.
É esta a sociedade que temos, em que acedem a apoios, em qualquer área, aqueles que deveriam estar disponíveis para ajudar, nunca para contribuírem para o aumento das assimetrias, cada vez mais gritantes, sobretudo na atual conjuntura.

Vivemos tempos difíceis, conscientes de que temos pela frente duras batalhas, não só para as escolas, mas também para a economia e a área social, mas se o sentimento de que estão imbuídos os iluminados que, mesmo tendo em casa meia dúzia de guarda-chuvas, se colocam nas filas onde estão a disponibilizar guarda-chuvas a quem não tem, então aguardam-nos tempos bem mais difíceis do que possamos imaginar.
Gostava de saber como é que pessoas desta índole conseguem continuar a pavonear-se, quando da evidente falta de consciência cívica de que dão provas resulta que alguns alunos, colegas dos seus filhos, continuem a ser privados de meios para acompanhar um ensino que tem de ser dado à distância.

O Ministério da Educação falhou, com as justificações que entende por bem apresentar, aceites ou não, por cada um de nós, questão que não é meu propósito abordar, neste momento, mas que culpa têm os alunos, aqueles que querem, mas não conseguem, ter as mesmas condições para trabalhar?
O mais certo, uma vez mais, será as minhas palavras caírem em saco roto mas, mesmo assim, sinto o dever de falar para mais tarde não sentir remorsos por ter ficado calada.
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