Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Hábitos...

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2010-11-05 às 06h00

Margarida Proença

Agora que se chegou a acordo sobre o orçamento, e foi aprovado na Assembleia da República, começa - de certa forma - uma nova fase na economia portuguesa.
Não vale a pena ter dúvidas quanto a isto; as hesitações dos partidos no processo de nego-ciação foram fundamentalmente para vender manchetes nos jornais.

O acordo que nos vai custar um aperto adicional do cinto em 500 milhões de euros representa apenas alguma coisa para as famílias que podem ter os seus filhos nos colégios privados, recorrem aos serviços de saúde privados e têm dinheiro suficiente para aplicar em planos de investimento com potenciais deduções fiscais. E, que dispõem de informação suficiente para garantirem a obtenção de tais vantagens em sede de IRS.

Do ponto de vista económico, um pouco por todo o mundo, mas seguramente nestes países do Sul da Europa, fomos confrontados com um choque, com um banho de realidade. Daí, po-de inferir-se que em 2011 haverá uma quebra significativa na economia, que poderá mesmo voltar a entrar em recessão. Este tem sido um argumento repetidamente ouvido na comunicação social.
Mas os nossos hábitos, será que vão mudar verdadeiramente? Será que o consumo vai diminuir de facto, será de esperar uma contracção tão clara no investimento privado, será que o desemprego se manterá em alta, por aí fora?

Não tenho essa certeza. Na verdade, a literatura sobre a formação de hábitos no consumo tem vindo a obter confirmação empírica noutro sentido. Isto é, face a uma expectativa de diminuição de rendimentos, antecipamos que - no futuro - o nosso rendimento vai baixar. No futuro, não agora. Isto é , a longo prazo, eu acredito que o corte salarial que terei em 2011 (uma vez que sou funcionária pública) tenderá a piorar em 2012. Nesse ano, vou continuar com o salário mais baixo, e a inflação, e o acréscimo dos impostos, irão ter uma repercussão negativa mais elevada do que agora. E com base na minha expectativa face ao futuro, e com base nos meus hábitos de consumo, vou continuar a gastar sensivelmente o que gastava antes.
Amanhã vai ser pior, mas é amanhã...

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