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Habilidades e... as histórias do costume

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Habilidades e... as histórias do costume

Ideias

2020-10-30 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Lembram-se do Jorge Coelho, aquela figura do aparelho socialista que nos últimos tempos, após passagem pela Mota Engil e negócio de queijos em Seia, aparecia na “Quadratura do Círculo” e era ministro na altura da queda da ponte de Entre-os-Rios? Ao tempo, sendo então personalidade de proa socialista, bolsou uma frase que ficou célebre ao dizer que «quem se mete com o PS leva».
Uma afirmação-ameaça que vem na linha do Santos Silva, seu colega “arruaceiro”, que se ufana em dizer que «gosta de malhar na direita». Não tecendo mais considerandos, refere-se apenas que, face a certos acontecimentos e atitudes havidas, e com Costa em primeiro plano, é de temer o futuro e o que vai suceder com os dinheiros de Bruxelas. Para mais sendo evidente o “cansaço”, para não dizer outra coisa, do Marcelo, e todo o seu “apoio”.

Atendendo ao que se vem sabendo e “preparando”, e a certas notícias e comentários dos media, não é de espantar que nos vejamos confrontados com um “fartar vilanagem”, um “aproveitar quem puder”, e “ganhos” e “encher de bolsos” dos mesmos do costume no que toca aos dinheirinhos e fundos da Europa. Aliás, alguns “experts” do “aparelho socialista” já foram encaixados para tal fim, mesmo “socratinos”, e tudo se vem processando em ordem a tal, pois V. Escária, com “obra” nos tempos do engenheiro, já foi para o gabinete de Costa, e o Apolinário, outro “artista do aparelho”, deixou o governo para dirigir a CCDR-Algarve, tudo isto a pouco tempo do país receber a “bazuca financeira” de fundos comunitários. Aliás, numa estranha aliança Costa-Rio, os dirigentes das CCDR, em vez de eleitos pelos representantes das zonas e dar assim corpo às Regiões Administrativas, foram escolhidos e nomeados graças a tão insólita “coligação”, e passam a ser um braço do governo de que dependem e os pode demitir, ainda que fiquem com meios financeiros e competências para dar as mãos aos amigos partidários, e outros, ajudando-os a fazer os “negócios” mais depressa e a jeito (Ler e ver “Ratificações mascaradas de eleições”, Jorge Cruz, C. Minho, 6.10.20). Assim se facilitando e “direcionando” o acesso a tal bazuca, e abrindo “a porta a regimes de exceção que desvirtuam a contratação pública (…) podendo aumentar o risco de conluio, cartelização e corrupção” (V. Caldeira, C. Manhã, 4.10.20). Aliás o já ex-presidente do T. de Contas disse-o ao comentar o documento do governo que poderia pôr em causa a “generalização dos ajustes diretos, a possibilidade de mudar as regras do contrato a meio do jogo para favorecer determinada empresa e até deixar a referência ao preço-limite”(id., C.M.).

Um juiz conselheiro a quem Costa logo “despediu” por telefone, não renovando o mandato e nomeando José Tavares, um juiz “embrulhado” há vários anos no T. de Contas, amigo e parceiro do P. Campos e com sinalética no processo das PPP, e um “artista” com um “cheirinho” a Sócrates e sua política, a quem Marcelo deu posse, apoiado pelo Rio, num processo de “erosão do sistema democrático”(J.P. Coutinho, C.M.9.10.20).
Como “o dinheiro europeu vem a caminho, o Tribunal de Contas ficou alarmado com as novas regras da contratação pública e o primeiro-ministro tratou de enxotar o presidente desta instituição”, escondendo-se “atrás do Presidente – e o Presidente a esconder-se atrás do líder da oposição” num jogo do gato e do rato em que o Tavares afinal agrada ao Rio. Coisas de um regime democrático(?) na Europa, mas a caminho de uma “venezuelização”, com repartição e distribuição dos dinheiros e poder pelo usual sistema do “aparelho” e em benefício dos mesmos compadres e amigos, que garantam a perpetua- ção do sistema do mando, apesar de Bruxelas chamar a atenção para o alastrar da corrupção no mundo e em Portugal, com memórias recentes.

No parlamento, entretanto, os mesmos habilidosos, preparam-se para aprovar leis que facilitem os contratos e os “negócios” públicos, simplificando e propiciando as falcatruas, a corrupção e aproveitando as benesses.
O Vítor Caldeira falou de mais e não dava jeito ao PS nem a tais negócios, pelo que havia que o calar, fazendo-o com o apoio do Marcelo e de Rio e seguindo-se o exemplo do mandato da Joana, ex. PGR. Tudo simples, pois os portugueses são uns palermas e ingénuos e ainda acreditam nos políticos, em “mãos limpas”, “juízos puros”, e num PR sensato. Simplórios!...
Continuará a haver mais corrupção, amigos que emprestam dinheiro, cofres com massa, “cunhas”, “jeitos”, obras de fachada e negociatas. Aliás o mesmo do mesmo e… com os mesmos do costume numa perpetuação de vícios, agora a estender-se à Justiça.
E não espantará que se atrase no tempo e nele se perca o processo Marquês, há muito à espera da decisão do Ivo de Santana. Para gozo do Sócrates, hoje muito calado pois tudo está a projetar-se em vivências de outros e recentes tempos socialistas.

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