Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Há um País a vencer...

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2012-09-25 às 06h00

Pedro Sousa

As últimas semanas têm sido pródigas em acontecimentos políticos da maior importância.
O Primeiro Ministro e o Governo, na sua cruzada cega pela austeridade, na sua obstinação de consolidação das contas públicas a qualquer custo continuaram a sua cruzada contra os trabalhadores, contra os mais fracos e, como sempre, a favor da desvalorização do factor trabalho.

O Primeiro Ministro e o Governo nada aprenderam com os quinze meses que levam no Governo.
Não perceberam que quanto mais rendimento retirarem aos Portugueses, quanto mais aumentarem os impostos, maior será, por um lado, a fuga fiscal e menor será, por outro, o consumo interno; continuando o País a cavalgar para um quadro recessivo cada vez mais grave.

A receita seguida por este Governo e por este Primeiro Ministro, trouxe Portugal a um dos piores momentos da sua história. A receita seguida tornou Portugal um País mais desigual, mais acinzentado, mais triste, com menos oportunidades, mais injusto e, essa mesma receita, traz no horizonte um futuro onde a esperança não cabe.

Mas, e porque há sempre um mas na História de Portugal, o autismo do Governo fez com que Portugal despertasse, acordasse, gritasse e dissesse que quer outro caminho.
Foram centenas de milhares os Portugueses que saíram à rua, em mais de trinta cidades portuguesas. Mas os Portugueses não saíram à rua apenas em Portugal, fizeram-no em muitas cidades Europeias, chegando, mesmo, este grito de revolta a ecoar do lado de lá do Atlântico, em Fortaleza.

Muitos dos que fizeram este protesto além fronteiras são jovens portugueses, muitos deles altamente qualificados, que foram obrigados a abandonar a sua Pátria, a procurar futuro fora do País onde, legitimamente, projetaram os seus sonhos, desejos e ambições, e que, como se terem sido convidados a abandonar o seu País não bastasse, vêem hoje a vida dos seus familiares passar por situações de enorme dificuldade.

Os Portugueses são um povo responsável, os Portugueses sabem que os próximos tempos serão difíceis e os Portugueses, como sempre até aqui, estão disponíveis para vencer essas dificuldades, para recolocar o País no trilho do desenvolvimento, do progresso, do crescimento económico e da criação de emprego.

Os Portugueses estão disponíveis para um caminho onde os sacrifícios valham a pena mas estão, apenas, disponíveis para esse caminho se o discurso dos políticos bater certo com a sua prática, se o Presidente da República não afirmar (quanta falta de vergonha) que as suas reformas não lhe chegam para viver e se o Primeiro Ministro, demitindo-se daquilo que lhe cabe fazer, não convidar os jovens portugueses a emigrar.

Os Portugueses estarão dispo-níveis para este caminho, sobretudo, se acreditarem que os sacrifícios terão na sua base um contrato social inspirado na justiça e na coesão social, que assente na solidariedade de inspiração humanista de que quem pode mais paga mais, no sentido de permitir que quem pode menos possa pagar menos ou até não pagar.

Os Portugueses estarão dispo-níveis para este caminho se sentirem que os factores chave da coesão e da justiça social (Educação, Saúde e Segurança Social) estão a salvo da voragem dos Privados e que, principalmente em tempos de crise, estes são verdadeiras âncoras sociais das quais não podemos, nem por um segundo, abdicar.

O dia 15 de Setembro afirmou uma cidadania mais escrutinadora, mais exigente, mais forte. Uma cidadania que não termina no voto, uma cidadania permanente, diária.
Uma cidadania pela transparência, pelo rigor mas, também e sobretudo, pela esperança e pelo futuro.

O dia 15 de Setembro despertou Portugal de uma certa dormência social instalada e foi um refrescante grito de alerta que todos devemos saber interpretar, enquadrar e valorizar.
Se o fizermos, todos, estaremos no bom caminho.

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