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Ideias

2018-03-18 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Hoje, dobrados os idos de Março, a elite pretoriana do governo não passou nenhuma multa por milímetro arbustivo fora de pauta, por pilha de canhotas em sequeiro no beiral da empena. Ouvíamos, há dias, um alto sacerdote da coima, que atestava a irredutível impreteribilidade do talão, nota de pecado sem a qual as Câmaras não poderiam subsumir-se aos contraventores da desbasta de árvores raquíticas e matos luxuriantes. Di-lo-ia, por acreditar no que de si ouvia, ou por que fosse o cabeça-de-vento mais a jeito para a função?
Sai o Inverno, entra a Primavera, três meses em que os arvorados vicinais passarão autos com pena suspensa, por contas de deve e haver a ajustar por alturas do são Joãozinho. Não sei se chore, se ria: que Estado afirma peremptoriamente o que de seguida renega? Que Estado envereda deliberadamente por fábulas do era-e-não-era? Que se agitava o papão, dizia-se, para que o povo, dado a desleixos, não se descuidasse! Mas não está o bom povo português alinhadito com os governitos que tem?
Tapamos buracos, em vez de prosseguirmos políticas consequentes. Transformamos urgências em arranjos de oportunidade, postulando, o governante desafogado, que há, sempre, no falso das masseiras do tosco, umas meias-libras de ouro para dias de aperto. Que impediu o Costa de avançar com as multas? A perda de eleitorado? Ah! Pois! Não tem a lata para sua fazer uma franqueza do Passos.
Saem os rankings anuais da felicidade, e aí desfaço-me em prantos de fazer inveja à troupe das Madalenas. Valha-me Deus! Pagam, os nórdicos, impostos por rasa maior, mas sentem que são senhores da sua vida, que o mundo lhes pertence, que não há oportunidade que lhes seja negada. E que valoriza, essa gente, de países com genoma distinto do nosso? Enfim, o facto, segundo consta, da corrupção não ter curso entre eles, do negociozinho discreto, preparado com legislação aprovada em câmara de parlamentários, ser peça de museu de antropologia achada a céu aberto mais lá para o sul.
E que dizer de um certo infeliciano barrável azurrar-te, que nunca foi ali e já venho, mas que seria investigador convidado na Califórnia! Falsidade de matrafona em cortejo de partido com aspirações ao poder, substantivos que vão mesmo de letra pequena, que é gente que não merece outro tratamento. Cereja em cima do bolo: diz, o entalado, que o retoque tinha sido sugerido pelo partido. Pasmo, ante tamanhos especialistas em efeitos especiais e fitinhas de animação. Terão óscares? Resisto à tentação de descair para arabescos de cunho individual, que bem seriam entendidos por quem de mim se lembra em associação a conhecida junta de freguesia.
Presumo que o Rui Rio esteja em stress hídrico, não obstante o que tem chovido. O Rio secou, foi tomado por escorrências de esgoto. O Rio é um Ave no auge do desgoverno. Rio está em modo de avestruz, esperando que o vento mude, ou que desgraça equivalente ocorra nas hostes socialistas. Bem pode rezar, que, o destino que levou Soares-filho, o têm eles por mote e padrão. Tanto impasse. Estarão à espera que o próprio atinja que não tem condições para a condução do cargo de secretário-geral? Não é o Rio um arrumador de casas autoproclamado, um racional renovador de decorações? Não terão outro em quem confiem, estarão assim depauperados? Olha, por que é que não fazem um outsorcing com uma empresa de trabalho temporário? São bem capazes de ter sorte, e até lhes pode calhar um que venham a seduzir com contracto efectivo de trabalho.
A desliza e o infeliciano não são acidentes de percurso, são sinais de nascença, são hemangiomas irreversíveis. Em defesa do primeiro, saiu o Rio com fanfarronices de viela. Ao segundo, coitado, já não tuge nem muge. É uma pena, tão certinho que era.

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