Correio do Minho

Braga, sábado

- +

Governo à Vela

A sabedoria do cuidar no Alzheimer

Governo à Vela

Ideias

2019-07-09 às 06h00

Paulo Cunha Paulo Cunha

Dar com uma mão e tirar com a outra nunca deu bom resultado, mas é isso que o Governo está a fazer ao povo português, ainda por cima de forma periclitante e eleitoralista o que não deixa de ser uma estranha e perigosa forma de governar um país.
Anunciam-se folgas para os pais no primeiro dia de aulas dos filhos, mas logo se retifica a dimensão da dádiva. Comunica-se o fim das taxas moderadoras nos centros de saúde, mas depressa se remete para o futuro a entrada em vigor da medida. Fala-se em taxas de desemprego historicamente baixas, mas simultaneamente de hospitais sem médicos. Tanto nos dizem que a economia nacional está pujante, como escasseiam meios na proteção civil. Até parece que vivemos governados ao sabor da direção que tomam as notícias e por uma espécie de sistema de contrabalanços e, assim, nunca saberemos de facto qual será o dia de amanhã. Péssimo sinal para o país este de um governo à vela.
É por isso que não consigo partilhar da onda de otimismo de muitos. Enquanto existirem discrepâncias sociais, enquanto subsistirem dificuldades básicas em dimensões tão importantes como a saúde e a educação, enquanto permanecerem desigualdades territoriais gritantes no recurso a bens e serviços essenciais para a população, enquanto assistir diariamente a filas intermináveis de pessoas à chuva e ao vento para serem atendidas num serviço público, enquanto constatar uma governação direcionada em função do soundbite eleitoral, não conseguirei entusiasmar-me com o estado da nação, por muitos números dourados que existam.
Falta equilíbrio a Portugal. Falta moderação e ponderação na forma como se faz política. Somos um povo de entusiasmos e desânimos extremos, de crises ou de bonanças, de desconfiança ou de certezas desmedidas, poucas vezes de meio termo. Esta tendência explica muito do percurso errático de Portugal ao longo dos anos. Somos os melhores ou os piores. Nunca procuramos ser simplesmente bons e equilibrados.
E se tendencialmente somos assim enquanto povo, o exemplo, como sempre, tem forçosamente que vir de cima, de um Governo que funcione em função dos interesses e necessidades da população e não apenas à procura de cair nas boas graças do espaço público.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

21 Setembro 2019

Emergência Climática

21 Setembro 2019

A Nova Comissão Europeia

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.