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Braga, sábado

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Golpe de Misericórdia

Por que não um Museu de Braga?

Golpe de Misericórdia

Escreve quem sabe

2024-05-12 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Onde está o dinheiro? Em alternativa: para onde foi o dinheiro? Uma tranche de meia centena de milhares de euros, ao que parece. Soma modesta à grande escala, mas soma de saborosos destinos, se traçada por um trio de eleitos para custeio de desafogos futuros e luxos correntes – correntes, no sentido de enquanto a boa-vai-ela durasse, presente contínuo dos artistas que nós remetamos, agora, para passados de triste memória institucional.
Edmundo Martinho tinha currículo probo, que nunca lhe faltaram com cargos e comissões prestigiantes, e assim digo porque pior nos pese a alternativa, se dissermos que dormia na forma quem lhe abria portas e, de gesto anfitrião, o instalava para começo no Instituto do Desenvolvimento Social, corria o ano de 88. Carreira com muitas estações que o alto quadro fez sob os auspícios da metade maior socialista, mas que, por troca de cromos, bem que poderia ter calhado a gomo fino do partido da laranja.

É natural que um vidente desta fibra saiba que apenas uma firma de filho benquisto se qualifique para negócio que desmande com dinheiros alheios. Natural é, igualmente, que o negócio seja qualquer coisa do arco da velha, seja um prato em que o aroma não coincide com a substância, em que o lume subtrai em vez de apurar, e em que perde qualidade o que se ajusta para compor prato.
E então, o negócio, perguntam os mesários, desdobrando guardanapos? Acredito que jamais tenham ouvido tão cândido e mavioso, tão rasgante e desalentoso: «Correu mal!» É a vida...

O cabaz-padrão pesa 6,68% mais em termos de custo?! Que explicação têm as finas-flores para o poço sem fundo da carestia de vida? Então, a inflação não estava controlada? Em quanto monta a diferença entre os acréscimos de preços e tarifas, e o volume remuneratório? Face ao custo de vida, suponhamos uma perda de 10% de recursos: poderemos nós, por justo equilíbrio, reclamar um de- créscimo similar de tempo de trabalho, de carga de trabalho, de dedicação ao trabalho? Caio na armadilha da pergunta que fazemos recorrentemente: porque é que os preços sobem mais do que aquilo que descem, porque é que sobrevivemos apertos de preços que não comparam com acréscimos de rendimentos, porque é que a pessoa individual não é o centro da vida pública e económica, por muito que a Democracia, qual cachorro compenetrado, se satisfaça com a jaculatória jacobina «do povo, para o povo, pelo povo»? Não! A Democracia é mesmo o melhor regime, pena é, porém, que os sumos-sacerdotes não acertem com os ritos. Calharão de ser ateus, em silêncio?

Alguém sabe porque é que o SEF foi extinto? Porque os agentes fossem manguelas, porque os dirigentes fossem frouxos, porque o corpo, de tão desacreditado, fosse impassível de regeneração, porque a tutela política se esvaísse envergonhas, mais valendo fechar, sacudir, sacrificar um par de vitelos expiatórios, e reinaugurar – bem vistas as coisas – o velho com sigla nova? Mais de quatrocentos paus em procedimentos por um papel? Meses e mais do que isso de esperas para desembocar em pagamentos à distância e à cabeça, com o brilhante argumento da agilização das respostas? E assim: são os grupelhos de trogloditas que se comprazem com desmandos xenófobos, ou são os serviços do estado de direito que não sabem nem fazem míngua?
Talvez me caia acusação de fobia de algum recorte, mas só por qualquer sorte de demissão deplorável se consagra uma linha, uma foto, se avança uma câmara ou um microfone, por um assunto de ETAR. Continuamos adeptos das atrações aberrantes de feira com séculos de historial. Ora digam lá: quem é a mulher barbuda dos nossos dias?

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