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Braga, sábado

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GNRation?

Norte sobe no Ranking Regional de Inovação

Escreve quem sabe

2013-12-10 às 06h00

Margarida Pereira Margarida Pereira

Muito se tem ouvido falar do antigo quartel da GNR, agora transformado no GNRation. Sem dúvida que esta foi uma obra de grande valor, pois contribuiu para manter ativa uma peça do grande puzzle que conta a história da cidade.
No entanto, qual é a finalidade deste edifício? Para quem foi construído o GNRation?

Realizada uma pequena pesquisa concluímos que o GNration é “um espaço de criação, consumo e experimentação de atividades criativas, ao serviço da cidade e da comunidade, com vista à atração de talento”. É certo que esta é apenas uma pequena definição sobre todas as áreas que dividem o edifício, mas é o suficiente para nos questionarmos sobre a real utilidade do edifício.
Sabemos que, desde a sua abertura, o antigo quartel tem atividades e exposições a decorrer, o que deve ser valorizado. Contudo, quando se realiza uma visita guiada ao edifício, depara-se com uma grande quantidade de espaços vazios. Qual será a causa desta falta de utilização?

Na nossa opinião, o GNRation está muito longe do povo bracarense. É preciso aproximar as pessoas, e mostrar que este edifício está “ao serviço da cidade e da comunidade”. Mostrar que todos podem usufruir deste espaço. Ou será que não podem?
Afinal, para quem se destina o GNRation?

Fazendo uma breve passagem pela agenda de atividades do antigo quartel, percebemos que abundam os concertos, os workshops, as oficinas criativas, entre outros. Estas atividades, para além de serem atividades com um público muito específico, são na sua maioria pagas. Podemos então concluir que o GNRation não se encontra propriamente direcionado para os bracarenses, mas antes para uma reduzida parte de bracarenses. Contudo não precisamos todos de ter acesso à cultura?

O que falta em Braga é um espaço de cultura próximo dos bracarenses, e o GNRation poderia muito bem ser esse espaço. Numa das últimas tertúlias da Feira do Livro, em que a JovemCoop participou, um dos pontos abordados foi a falta de público nos eventos culturais da cidade. Esta falta de público deve-se à falta de cultura que se fez sentir em Braga nos últimos vinte anos, após o encerramento da Casa da Cultura.

Agora, e pensando no futuro cultural da cidade, é preciso um espaço onde haja cultura para todos, onde se possa ensinar as pessoas a gostar de cultura. É necessário um espaço de Braga e para Braga, onde todos se sintam parte. Parece-nos urgente que haja um espaço onde a cultura deixa de ser algo caro, inacessível, e passa a ser uma realidade, um hábito comum à vida de todos os bracarenses. Se há quem reclame um Theatro Circo de portas abertas, porque não fazer do GNRation um provador prévio de agentes e dinâmicas culturais?

A cidade está repleta de agentes culturais que se querem “mostrar” e que estão disponíveis a ajudar, que trabalham de forma voluntária e que se preocupam em sensibilizar todas as pessoas para a cultura.
O GNRation poderia ser então uma nova Casa da Cultura. Um local onde a cultura está em primeiro lugar, acessível a todos. Seria um espaço preocupado em fazer chegar cultura a todas as pessoas.

O antigo quartel poderia ainda ser considerado a Casa Municipal da Juventude. Uma casa onde se estabelecesse o diálogo intergeracional, onde os jovens teriam apoio para os seus projectos, para os seus trabalhos, podendo as associações encontrar aqui a sua sede.

Qualquer uma das duas soluções que apresentamos faria do GNRation um espaço com uma finalidade concreta e com uma maior interação com o público. Parece-nos urgente que se (re)pense na finalidade do edifício, para que este se revele útil para a cidade.
E porque definir a utilização do espaço seria uma espécie de prenda de Natal para a cidade de Braga, deixo em meu nome, e em nome da JovemCoop votos de um Santo e Feliz Natal.

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