Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Geração telemóvel

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Escreve quem sabe

2012-11-18 às 06h00

Joana Silva

Comparativamente com os tempos de antigamente, verificamos que as formas de comunicação evoluíram bastante. Mais concretamente, ter-se telefone em casa era visto como “um luxo” e restrito às classes mais altas. Nos tempos de agora, raramente é aquela pessoa que não usufrui de um telemóvel para comunicar com outrem. Se muitos dos jovens adolescentes não se conseguem imaginar sem o seu telemóvel, existem muitos outros adultos que até se encontram dependentes do mesmo.
Segundo algumas investigações que incidem no âmbito da utilização dos telemóveis indicam que a aquisição dos telemóveis compreende actualmente idades cada vez mais jovens. Acrescentam ainda que, a idade mais frequente de aquisição do telefone móvel situa-se entre os sete e os oito anos. Pode dizer-se que o telemóvel constitui para os pais um 'instrumento de segurança' entre os mesmos e os filhos. Os pais utilizam o telemóvel como uma espécie de “máquina de controlo” com o objectivo de verificar as actividades dos filhos, como por exemplo, quando algum pai ou mãe telefona ao filho e questiona, se almoçou, o que faz ou até mesmo com quem está. Um outro dado mais recente prende-se como o facto dos novos tipos de família da sociedade. Mais concretamente, para os pais divorciados o telefone móvel é considerado muito importante para a comunicação seja no interrogar do bem-estar do seu educando ou até na programação de actividades posteriores. Na adolescência o telemóvel tem, diga-s,e um peso relevante podendo mesmo ser factor decisivo na integração no grupo de pares, ao contrário, nas crianças mais jovens (até aos 10 anos de idade mais ou menos) que o utilizam para atividades mais lúdicas (jogos) e para contactar com os pais.
Alguns aspectos anteriormente mencionados referem-se às características positivas de “ter o telemóvel” mais numa óptica parental. No entanto existem também as características menos positivas. Os pais tendem a “esquecer” de explicar aos filhos, quais as instruções ou até como deve ser usado o telemóvel. O explicar, por exemplo, que não deve ser utilizado dentro da sala de aula quando a preocupação prende-se mais com o “não gastes muito saldo”. Não obstante, os riscos para a saúde resultantes do uso telefone móvel têm sido ponto de analise em vários estudos científicos mas até à data, uma grande parte revelam resultados inconclusivos. Explicando o atrás referido, a questão central prende-se ao facto de as crianças serem consideradas mais vulneráveis aos efeitos negativos na saúde comparativamente com os adultos pois segundo, os especialistas referem que as crianças tem maior vulnerabilidade às radiações pois a estrutura cerebral das mesmas encontra-se em desenvolvimento. Por último, poder-se-á dizer que, os pais são soberanos na atribuição ou não do telemóvel ao seu educando, mas de relembrar que quando é utilizado excessivamente como “máquina de controlo” o desenvolvimento da autonomia na criança poderá ficar condicionado ( quando por cada decisão ou atitude que tem de tomar telefona ao pai ou à mãe questionando o que deve fazer) despolentando sentimentos de ansiedade e insegurança aos contextos diversos no qual está inserida.

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