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Geração Lusofonia - Parte II

O Coronavírus (Covid-19) e outras epidemias

Ideias

2012-11-11 às 06h00

Carlos Pires Carlos Pires

Vem a presente crónica (parte II) ainda a propósito da publicação de Outubro da revista inglesa “Monocle”, dedicada à importância que têm hoje, no e para o mundo, os países que partilham a língua portuguesa, “língua dos negócios, da diplomacia, desporto e cultura'.
“A juventude de um País é o seu melhor recurso”, escreve-se na revista, pelo que, abordando o fenómeno atual do êxodo de jovens portugueses para outros países, uma autêntica “Geração Lusofonia em movimento”, a questão que aí se deixa no ar é esta:  “uma vez que já partiram, alguma vez vão regressar?”.  
Portugal vive indiscutivelmente um novo fluxo de emigração. Com o rebentar da crise, o fenómeno que marcou o país nos anos 60 parece estar a repetir-se. É pois legítimo perguntar o que temos a ganhar com isso?
Poderíamos pensar que, por um lado, cada emigrante constitui um potencial 'cartaz publicitário', difundindo pelo mundo a cultura portuguesa, incentivando o turismo no nosso país. Por outro lado, com a saída de jovens, os mais velhos conseguirão arranjar trabalho mais facilmente. Ainda, haverá divisas que serão transferidas para Portugal.
Contudo, não podemos cair em tão fáceis e ilusórias conclusões. Basta que atentemos no facto de estarmos perante uma vaga emigratória muito diferente daquela que se registou no período da ditadura e com muito menos retorno económico, financeiro e social que a de então.
Na verdade, os jovens que na década de 60 deixaram o país, para fugir à guerra colonial e à pobreza, faziam-no ilegalmente, submetiam-se a condições de vida sub-humanas e à medida que iam conseguindo adaptar-se no exterior e ganhando dinheiro tinham um único objetivo: regressar ao seu país e à terra, para onde tinham enviado todas as poupanças feitas. E voltavam com um negócio montado para deixar aos filhos depois da reforma. Agora é diferente. Dos cerca de cem mil portugueses que estão a emigrar anualmente, a maioria deles fá-lo com um diploma no bolso, são jovens qualificados. Substituíram a mala de cartão por uma mala com rodinhas; já não passam a fronteira a pé, mas sim de avião; em vez de escreverem longas cartas a falar da nova vida, comunicam através das redes sociais ou por telemóvel. Querem mais do que um primeiro emprego, vão por uma carreira. No mundo cada vez mais global, ficarão e farão a sua vida de acordo com o país onde a sua formação e qualidade for reconhecida. Eis os novos emigrantes portugueses.
Este governo mandou os jovens emigrarem. E eles acataram o conselho e estão a abandonar o país para trabalhar no exterior. Que futuro nos espera se os nossos quadros profissionais jovens e qualificados estão todos a emigrar, face à ideia que progressivamente se instala na sociedade portuguesa de que aqui não há oportunidades?
O país tem que apostar na diversificação da estrutura produtiva e na diminuição dos interesses instalados na Economia Portuguesa para, deste modo, dar lugar ao capital humano português. Tem de haver também palavras de ânimo, ideias para investir cá dentro, uma vez que possuímos força de trabalho com um nível de qualificação sem precedentes.
O futuro de Portugal não está pois na saída 'dos melhores' para o estrangeiro, mas antes na capacidade de o país aproveitar a geração “de ouro”, a geração mais bem qualificada que alguma vez teve. A fuga de cérebros representa um desperdício de fundos públicos visto que a educação em Portugal sempre foi na sua maioria gratuita. Ou seja, Portugal com os seus impostos subsidiou a educação dos seus cidadãos, mas se estes emigrarem, quem beneficia desse capital humano são os países recetores. O nosso país investiu na sua formação e agora exporta-a a custo zero. O país fica a perder. O país fica mais pobre. Portugal está de fato sem rumo e assim, com este êxodo emigratório, continua um Portugal adiado!

P.S. Teodora Cardoso, Presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP), referiu esta semana que o Estado está mal gerido e que o Governo e a troika não estão a ser tão implacáveis com os grandes interesses como o fazem com os restantes portugueses: 'Isso é mais difícil, é politicamente muito difícil. A troika não se atreve a meter-se nisso, quanto muito exprime a necessidade de o fazer. Mas não é a troika que pode resolver isso, é o Governo', diz.
Louvo a sua coragem e a pertinência das suas palavras. Afinal sempre há vida para além dos impostos…

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