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Braga, segunda-feira

Galiza-Norte de Portugal e cooperação transfronteiriça

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Ideias

2013-12-07 às 06h00

António Ferraz

Antes do 25 de Abril praticamente inexistiam quaisquer tipos de relações entre estas duas regiões ibéricas. Com a democratização e mais tarde com a adesão de Portugal e Espanha à União Europeia assistiu-se a um incrementar das relações económicas, sociais e culturais (a fala luso-galaica tem sido um facilitador) visando uma maior integração daquelas duas regiões.

A cooperação transfronteiriça tem sido desde então um instrumento importante de desenvolvimento da Eurorregião Galiza-Norte de Portugal, através do aproveitamento dos seus recursos endógenos, da criação de um mercado transfronteiriço para as empresas locais, da coordenação de equipamentos e serviços disponíveis e do aumento da competitividade de um e outro lado da fronteira.

O Norte de Portugal pese embora com menor espaço territorial é a região com maior população e com uma maior taxa de atividade no mercado laboral. Por sua vez, a Galiza tem vindo a mostrar maiores níveis de produtividade e menor grau de assimetria demográfica entre o litoral e o interior. Em ambos os casos, porém, apresentam no presente tendência para a estagnação e mesmo redução demográfica. Por seu lado, a taxa de desemprego é superior na Galiza (18,3% na Galiza, 13% no Norte de Portugal e 9,6% na UE27, em 2011).

Na Eurorregião aos principais recursos tradicionais, terra, mar e rios, tem vindo a juntar-se novos sectores de atividade económica que incorporam modernização e inovação, tais como, a indústria transformadora, os serviços, a indústria alimentar (na Galiza - destaque para a Pescanova), o material de transporte, têxtil e confecção (destaque para o grupo Zara na Galiza) constituindo, assim, os principais sectores empregadores e com mais elevados índices de produtividade.

O turismo merece uma referência especial pela sua importância económica e potencialidades de atração de pessoas e de capitais no futuro, nomeadamente nas vertentes do turismo ambiental e cultural. Como exemplo, citamos a intensa cooperação transfronteiriça para a proteção e valorização do Parque Natural da Peneda-Gêres.

A mobilidade do mercado de trabalho transfronteiriço tem vindo a processar-se essencialmente ao longo de dois eixos principais: Valença/Tui, que se prolonga até Viana do Castelo e Vigo e Chaves/Verin com menor profundidade de penetração territorial.

No sector da Agricultura e Pescas: a aparente contiguidade e similaridade do sector agropecuário e da pesca escondem diferenciações significativas, como seja uma menor densidade de área ocupada e de número de explorações na Galiza das explorações de muito pequena dimensão (menos de 1 hectare). Porém, com uma clara supremacia no peso das explorações com mais de 5 hectares e uma maior expressão quantitativa da produção de carne e da fileira de pesca na Galiza.

Sector da Indústria: nas indústrias extrativas ao maior número de empresas e de efetivos empregados no Norte de Portugal, corresponde na Galiza, um valor acrescentado bruto muito superior. Nas indústrias transformadoras ao peso das indústrias têxteis, do vestuário e do couro no Norte de Portugal corresponde na Galiza à também expressiva presença das indústrias alimentares, das indústrias metalúrgicas de base, produtos metálicos, máquinas e equipamentos e material de transporte.

Sector Financeiro: foi a este nível que se assistiu a uma maior inserção do sistema bancário e financeiro no processo de globalização mundial. Na Galiza, contudo, desenvolveram-se instituições financeiras de base regional (as Caixas Galegas e alguns bancos).

Em termos de futuro a Eurorregião Galiza-Norte de Portugal continua a ter vastas potencialidades para o seu desenvolvimento económico, social e ambiental no actual quadro da globalização dos mercados, através do reforço da cooperação transfronteiriça, da valorização e promoção da competitividade das empresas locais e por meio do conhecimento e inovação. Assim, as estratégias a adotar devem mirar, no essencial, a redução das assimetrias demográficas (entre o litoral e o interior, principalmente), em apostar no empreendedorismo e na inovação regional (com o consequente o aumento do emprego) e em tornar a Eurorregião em um território atrativo à circulação de pessoas e bens.

A promoção e desenvolvimento do sector turístico é neste contexto um pilar fundamental para o desenvolvimento transfronteiriço, a partir da ideia de preservação ambiental, melhoria da prestação de serviços, equipamentos e infraestruturas.

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