Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Fumaças

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Ideias

2013-03-17 às 06h00

Carlos Pires

Vivemos tempos perturbados e instáveis. Os sinais, quais fumos que possamos avistar no horizonte, não são claros; não se vislumbra um caminho escorreito a atravessar e que nos permita fixar planos e estratégias de vida. O que redunda numa (enorme) angústia e desânimo coletivos - o pior que uma sociedade pode enfrentar.
1. Fumos negros - o anuncio pelo ministro das Finanças das conclusões da sétima avaliação da “troika” correspondeu a um autêntico “balde de água fria” sobre as cabeças dos portugueses: mais desemprego (até ao final do ano atingirá um pico de 19%, fruto também de novos despedimentos na função pública), o défice real e a recessão serão substancialmente superiores aos anunciados anteriormente, o que obrigará a mais cortes. Afinal o aperto no bolso que nos tem sido imposto para nada tem servido; o cenário dos tempos que se seguem é claro: mais austeridade estendida por mais tempo!
O Governo, quando foi eleito, alvitrou que dois anos de austeridade punham o país na ordem. Agora, na ânsia de obter justificação para o descalabro e para a desilusão, vem atirar as culpas para a má performance da zona Euro. Mas será assim? O Governo, se fosse constituído por pessoas conhecedoras e bem preparadas, não estaria obrigado a, na altura, ter equacionado todos os cenários (de resto já previsíveis) e, com isso, ter seguido outro(s) rumo(s)? Não tolero incompetência. Mas muito menos tolero desonestidade intelectual - eu e, estou certo, todos os portugueses, todos aqueles que se revoltam e com razão.
Infelizmente, e este é o nosso grande problema, não acho que haja políticos, seja qual for o quadrante partidário em que estejam inseridos, capazes de nos ajudarem a “sair deste buraco”. Ou porque nenhum deles faria substancialmente diferente daquilo que está a ser feito pelo Governo. Ou porque nenhum deles se sente capaz ou suficientemente livre para prosseguir tal (difícil) missão…
3. Fumos cinza - Na terça-feira passada, num manifesto posto a circular, personalidades de diferentes áreas (muitos deles ex-políticos, académicos e empresários) consideraram urgente 'dar conteúdo político e democrático' à revolta dos portugueses e acusaram os partidos de governar 'sem ética e sem sentido de Estado, dificultando a participação democrática dos cidadãos e impedindo que o sistema político permita o aparecimento de verdadeiras alternativas'.
Em sequência, por considerarem que 'a rotação no poder não tem servido os interesses do Povo', e que o atual sistema permite 'um financiamento das campanhas eleitorais que contribui para a promoção de políticos incompetentes', defendem o fim da concentração do poder político nos partidos, bem como a reconstrução do regime democrático - assente na escolha pelos cidadãos dos candidatos a todos os cargos políticos, bem como na possibilidade de candidaturas independentes.
Aí está o exemplo de uma iniciativa que, por ser democrática e construtiva, merece o meu aplauso; de resto na esteira do que defendi em anteriores crónicas publicadas neste espaço: a necessidade urgente de repensar a partidarização como a base do sistema democrático, cheia de vícios e, dessa forma, prejudicial à prossecução do bem comum. Contudo, estou consciente das dificuldades que a implementação do preconizado acarretará, atentos os obstáculos que os interesses instalados levantarão…
3. Fumos brancos - no Vaticano! Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, arcebispo de Buenos Aires, foi eleito como sucessor de Bento XVI. A (programática) escolha do nome Francisco, inspirado em Francisco de Assis - patrono dos pobres, “um nome de paz', de humildade e de abertura para o mundo -, indicia o âmbito de atuação principal deste novo pontificado: a aproximação e ajuda aos mais carenciados.
Seja pois bem-vindo, Papa Francisco, bem como a esperança que carrega, de que tanto necessitamos.

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