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Fora da Caixa (out of the box)

Não maltratem a avozinha!

Fora da Caixa (out of the box)

Ensino

2021-02-24 às 06h00

Francisco Porto Ribeiro Francisco Porto Ribeiro

O presente artigo de opinião não pretende convencer ninguém a nada e, muito menos, à necessidade de mudança, apenas posiciona-se como uma reflexão interna e uma partilha pessoal, em momentos conturbados em que vivemos, como a atual pandemia.
Propomos três leituras de reflexão, em homenagem ao falecido médico, Spencer Johnson, vítima de cancro no pâncreas. No seu momento de “mudança” de vida, vivenciando o trauma familiar causado pela situação, partilhou reflexões úteis, em prol da necessidade de mudança de posturas, multi -ajustáveis, seja social ou de organização interna, académica ou empresarial, que se espalhou pelo mundo, dentro no limite de aceitação.

A primeira proposta é o livro top de vendas (best-seller) da Amazon, em 2005, sob o título de “Quem Mexeu no meu Queijo”. Ainda hoje é uma referência atual, face ao momento que estamos a passar, conduzindo a situações difíceis na vida, sejam de convívio ou apenas de mudança de hábitos e costumes. É um livro que conduz à necessidade de termos que procurar, por nós, um caminho de mudança, obrigando-nos a adaptar a esse novo conceito de vida. A segunda proposta é do título “Fora do Labirinto”, que ajuda a consolidar as ferramentas para a mudança, interna e externa, numa postura de auto-ajuda (self-coaching). A terceira é do livro “O Presente”, escrito num momento de crise mundial onde se sentiu a paragem da economia, o desemprego, o medo da situação e o desejo de que as coisas voltem ao normal (parece hoje). O autor resume que esse é “o momento mais adequado para nos apoiarmos em verdades simples e fiáveis que nos pode ajudar a aprender com o passado, a fruir o presente e a criar um futuro novo e mais agradável”. Muitas pessoas sentem-se paralisadas pelo medo, em atitude de negação, mas devemos aprender com os erros (segundo os romanos, “errare umanos est”, ou seja, é próprio do Homem errar, já permanecer no erro é uma opção pessoal).

Estas propostas de leitura estão disponíveis numa livraria local. Agora, uma das questões que se pode colocar neste momento é a necessidade de saber como estes livros contribuem no processo de autoajuda. A resposta é simples, o primeiro livro narra, num plano metafórico, as opções de 4 personagens, representadas por dois gnomos e dois ratos, respetivamente, o comportamento socialmente apreendido do aprendido (o que retemos do que é ensinado) e o primeiro instinto básico de luta pela sobrevivência (pirâmide de Maslow) de defesa, saúde, proteção, etc.

O cenário (plateau) é o nosso cérebro, representado por um labirinto complexo de lados obscuros, zonas cinzentas, de medos e certezas absolutas (axiomas e dogmas), bem como de memórias felizes e outras menos (azares). Nesta proposta, o “Queijo” representa os objetivos (de curto, médio ou longo prazo) podendo ser pessoais, profissionais, familiares, amizades ou outros, cabendo tudo, até ao limite da capacidade do(a) lei-tor(a). Sentir o cheiro da mudança, perceber que o nosso “queijo” está a perder qualidade ou deixa de existir e como reagir, em consequência. O instinto animal, no meio de dúvidas, parte na procura de novo queijo. Por outro lado, os Homens ficam presos em pré-conceitos sociais, éticos, etc., como entraves à reação. Como decidir e como reagir? O desafio passa pela reflexão pessoal e adaptação dos sentidos para a mudança, quando o nosso “queijo” é alterado, por fatores exógenos e inexplicáveis. O texto, muito simples, é acompanhado de frases óbvias que tendemos a menosprezar.

Sugere adaptação à realidade, em função de factores que não dominamos (e.g.: a perda de algo ou alguém, material ou imaterial). Ajustado ao conceito atual, somos confrontados com novos perigos e novas realidades, para o qual sempre achámos estar imunes, que só acontecem aos “outros”, mas que mexe com o nosso interior e com a nossa zona de conforto. Hoje, mais do que nunca, devemos procurar a humanidade de grupo, e não só a imunidade de grupo no plano de saúde. O médico expressa ensinamentos de base na formação, enquanto seres sociais, contribuindo para perceber e respeitar os sentidos e sentimentos, como forma de antecipar e minimizar a dor. A mudança dos sonhos perspetivados num horizonte temporal, ou apenas de hábitos sem autorização (ação/reação não efetivado), impõe dúvidas genuínas aos qual se juntam os porquês da vida e a reflexão interior. Eventualmente, será a esse o sinal que recusamos ver, como necessário à mudança, recordando aqui, independentemente do credo individual, o velho ditado enraizado no povo português, “quem muda, Deus ajuda”.

Por sua vez, no livro “Fora do Labirinto”, o autor reflete na necessidade de lutar contra os dogmas pessoais (realidades inquestionáveis) mas fornecendo exemplos que muitas vezes “passam ao lado”, como ferramentas de adaptação à mudança. Não tentando retirar o prazer da leitura e da interpretação individual destas propostas, no seu conjunto, resumo a necessidade de estarmos atentos aos sinais externos que sugerem uma mudança de estilo e de forma de atuar ou de pensar, um pouco “fora da caixa”, mantendo as recomendações da Direção-Geral de Saúde (sem ser artista de circo, sem rede, causando danos a terceiros) e dos conceitos do socialmente aprendidos e apreendidos. Albert Einstein dizia, no meio dos surtos, que “a imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação abarca o mundo”. Na minha ignorância de vida, com altos e baixos, como todos, tive necessidade de perceber estes momentos, para superar e contornar (quem nunca?).

Evidência factual é que a pandemia violou as fronteiras físicas e emocionais, derrubou axiomas e mexeu em convicções. Chegou o momento de nos adaptarmos ao novo normal dependo da resistência à mudança pessoal e, como o autor refere, da consciência que “velhas crenças não conduzem ao novo queijo”. As certezas pessoais são uma “prisão” para a saída do “labirinto” da vida. Devemos pensar e agir diferente, se procuramos resultados diferentes, sendo que há crenças que aprisionam e outras que libertam. Pessoalmente, na vida tenho apenas duas coisas como certas, “a incerteza do futuro e que a morte nos espera”. Há que acreditar e sorrir para um futuro melhor, segundo o autor, “acreditar antes de ver”.


Nota: Spencer Johnson faleceu em julho de 2017, vítima de cancro no pâncreas. Casado e pai de três filhos, foi autor e coautor de inúmeros livros, traduzidos em 47 línguas e top de vendas na Amazon, em 2005, com “Quem Mexeu no meu Queijo”. Em termos académico, tinha o bacharelato em Psicologia, licenciatura em medicina no Royal College of Surgeons e especialidade em Harvard Medical School. Profissionalmente, foi diretor de relações públicas de Medtronic, a empresa que inventou o pacemaker, investigador clínico e professor associado em Harvard Business School.

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