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Fim das embalagens de tara perdida e dos plásticos já!

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Fim das embalagens de tara perdida e dos plásticos já!

Escreve quem sabe

2020-10-03 às 06h00

Fernando Viana Fernando Viana

Penso que a maior parte das pessoas já adquiriu alguma sensibilidade ambiental. Contudo, seja por razões de comodismo, dos interesses económicos instalados ou da inércia do aparelho governamental, a verdade é que em Portugal, o plástico continua a ser rei e o comércio de bebidas continua a ser feito em embalagens de plástico, de vidro ou de alumínio de tara perdida.
A situação ambiental daí decorrente é a que podemos observar todos os dias. Muito lixo por todo o lado.

Apesar dos estabelecimentos comerciais terem passado a vender os sacos de plástico, isso apenas abrange uma pequena fração dos sacos de plástico (os chamados sacos leves, com menos de 50 microgramas). Já os sacos ultraleves (utilizados para embalar fruta, legumes ou pão, por exemplo), continuam a ser gratuitos. Apenas em meados de 2023, os estabelecimentos comerciais vão ficar impedidos de utilizar os sacos de plástico ultraleve. Já a partir de 3 de julho de 2021, será proibida a utilização dos chamados plásticos de utilização única (é o caso dos recipientes para alimentos em poliestireno expandido, dos cotonetes, dos pratos e dos talheres, entre outros).
É absolutamente urgente, para o bem de todos nós, acabar ou reduzir de forma substancial a utilização de plásticos no grande consumo. Existem alternativas com menos impacto sobre o meio ambiente.
Ao nível das embalagens para bebidas de tara perdida, a situação em Portugal é absolutamente lamentável.

Curiosamente, até à entrada de Portugal para a CEE (atual UE), a maior parte das bebidas era comercializada em embalagens de tara recuperável. De lá para cá, foi sempre a andar para trás nesta matéria. Atualmente, apesar de serem comercializados em Portugal, milhares de milhões de embalagens de bebidas em plástico, alumínio e vidro, só uma pequena fração corresponde a embalagens de tara recuperável.
O Governo afirma que esta situação vai mudar em 2022, ano em que terminam as licenças das atuais entidades gestoras das embalagens. Já está aliás a decorrer em meia dúzia de grandes superfícies um projeto-piloto, visando a recolha das embalagens de bebidas, pagando um valor por unidade aos consumidores.

Esta situação é de facto inconcebível e o resultado está à vista. Quem se deslocar a um aglomerado urbano, mas também a uma praia ou a uma floresta, vai fatalmente deparar-se com diversas latas de bebidas, bem como garrafas de plástico e de vidro.
Contudo, na Alemanha, por exemplo, a situação é radicalmente diferente. As superfícies comerciais possuem secções, departamentos e equipamentos dedicados a receber as embalagens de tara recuperável, pagando um valor por unidade ao consumidor (por exemplo 0,10€). O princípio é simples e intuitivo: quem reutiliza e recicla recebe; quem polui paga.

Já no nosso país, é preciso ter uma especial preocupação com o meio ambiente, para não contribuir para a sua degradação. Caso não exista uma recompensa, um prémio (ou um castigo), só cidadãos muito preocupados, responsáveis e sensibilizados com a causa ambiental, procederão ao encaminhamento das embalagens para os ecopontos.
A maior parte das pessoas são comodistas e acabam por se sujeitar ou adaptar ao que o mercado oferece: se a esmagadora maioria das bebidas são vendidas em embalagens de tara perdida, é assim que as pessoas compram.
Convém, contudo, que saibam que a embalagem faz parte do preço do produto. Se eu pago, por exemplo, 1 euro por um refrigerante em lata, provavelmente 0.10€ corresponde à embalagem.
O que já não acontece numa situação de tara recuperável. Neste sistema, o consumidor apenas paga o produto, já que o preço da embalagem poderá ser recuperado.

Assim, ficamos todos a ganhar: ganha o consumidor que paga menos pelo produto; ganha o produtor que terá menos encargos com a produção de embalagens para as bebidas, tendo apenas que que criar uma logística, mas ganha sobretudo o ambiente, porquanto vai haver muito menos pressão no consumo de recursos (não será necessário estar sempre a produzir embalagens, já que muitas são reutilizáveis e outras serão recicladas), bem como no depósito de embalagens por tudo quanto é sítio, menos no local correto

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