Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Fidelidade às Origens

O Estado da União

Escreve quem sabe

2014-09-05 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Foi sob este tema escolhido para as celebrações aniversariais dos 70 anos do Agrupamento 208, do CNE, que se realizou, nos passados dias 8, 9 e 10 de agosto, o Acampamento comemorativo, e que determinou a escolha do local: O Penha - Centro Escutista de Guimarães, porque:
• se situa na Região de Braga - diocese onde D. Manuel Vieira de Matos fundou o Escutismo Católico, em 1923;
• se situa no Núcleo de Guimarães - cidade berço da nacionalidade portuguesa;
• se situa nos terrenos do santuário mariano de Nossa Senhora da Penha - sob o olhar maternal de Nossa Senhora Mãe dos escutas;
• se situa na diocese primacial que serviu de base à reconquista cristã da faixa ocidental da península Ibérica.

Este contexto remete-nos para as origens do Reino de Portugal e do Escutismo, criado por Baden-Powell em 1907, um movimento de educação para a cidadania solidariamente ativa, vivido ao ar livre e marcado pela vivência da fé professada.

A noite de sexta-feira, que este tempo diegético, nos situa nas vésperas da batalha de São Mamede e do dia de São João Batista, 23 de julho de 1128, foi, por vontade de Dom Afonso Henriques, dedicada à oração, tendo-se realizado uma “velada de armas” onde o Príncipe e as suas gentes evocaram os patronos: São Jorge, São Francisco, São Tiago, São Pedro, São Paulo, São Nuno de Santa Maria e a Virgem, que os “observava” do alto da Montanha da Penha, para os poupar da morte, não pelo medo de morrer, mas pelo muito que havia a fazer por este condado que, quando reino, haveria de ser conhecido como “Terras de Santa Maria”.

Os Lobitos reviveram as aventuras da criação do reino e acompanharam o jovem Afonso Henriques na criação deste, mas também nas tarefas quotidianas da vida de Guimarães. Foram ainda os primeiros a sair do Castelo para tomar parte na batalha do campo de São Mamede cuja vitória festejaram efusivamente.

Os Exploradores, logo após tão brilhante vitória partiram para consolidar as defesas das terras do interior, guardando, do alto da montanha da Penha, todos acessos a Guimarães e, depois, muitos deles, partiram para iniciar a reconquista cristã das terras a sul do condado.

Os Pioneiros e Caminheiros que viajaram de Braga até Guimarães, na noite de quinta-feira, num percurso de serranias e vales, para se ocultarem dos vigias de Dona Teresa e dos fidalgos galegos, chegaram na véspera da batalha, mesmo a tempo de tomarem parte na vigília oração que antecedeu a peleja.

Terminada a batalha Dom Afonso Henriques encarregou-os de manter intactas as vias de comunicação entre as cidade de Braga e de Guimarães, para que o movimento de tropas pudesse fazer-se sempre que necessário. Montaram arraiais na aldeia de Barco onde instalaram os artesãos (carpinteiros e ferreiros) que construíram jangadas para que soldados e armamento pudessem atravessar o rio Ave no local mais apropriado, quer à defesa das posições, quer ao ataque sobre os intrusos.

Consolidado o controlo do jovem reino e mostrando mesmo o poder do novo exército, quer às forças de Leão e Castela, quer aos árabes, foi tempo de festejar pela cidade os feitos alcançados e de subir ao alto da Penha para louvar a Deus e rezar pelos mortos nas campanhas.
No final da Missa, el-rei armou vários cavaleiros e a todos atribuiu terras para que as cultivassem e defendessem dos invasores, depois a todos convidou para um magnífico banquete onde tomaram parte os cavaleiros e os mais diversos artífices do novo reino de Portugal bem como as respetivas famílias.

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