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Ficará tudo na mesma?

Ser, saber, aspirar

Ficará tudo na mesma?

Escreve quem sabe

2022-01-26 às 06h00

Vítor Esperança Vítor Esperança

Não. Por minha vontade, isso não acontecerá e, por muitas razões: Desde logo, pelo princípio básico da democracia: alternância no poder.
Ao fim de 6 anos de Governo com suporte das esquerdas, há um cansaço nas opções políticas seguidas, que pouco acrescentaram a Portugal. O Governo da geringonça preocuparam-se no primeiro mandato em reverter algumas das medidas do anterior Governo - que recordo: esteve sempre maniatado pelas imposições da Troica – principalmente aqueles em que diminuíam despesas e rendimentos, afirmando quer a economia só cresceria se houvesse mais dinheiro disponível para gastar. É de facto uma possibilidade, mas isso provoca endividamento se não for acompanhado por aumento da produção de riqueza. Sim, houve crescimento, mas esse já se tina iniciado com as medidas corretivas do governo de Passos Coelho. Para além disso, Portugal beneficiou da grande abertura da política monetária internacional, sobretudo do Banco Europeu. Não foi só Portugal que cresceu. Houve muitos mais. Alguns cresceram bastante mais que nós e outros ultrapassaram-nos ao nível da produção de riqueza (PIB). Não foram apenas as medidas de redistribuição de riqueza que nos fizeram crescer, mas, e sobretudo, porque os nossos empresários investiram e voltaram a fazer crescer as exportações e aumentar emprego.

Depois, pela discordância que tenho relativamente às estratégias seguidas pelo Governo para satisfazer as esquerdas mais radicais, as quais privilegiam tudo o que é público, centrando investimentos no crescimento de pessoal para os serviços em vez de analisarem os reais problemas de funcionamento da máquina do estado e tentar melhorar a sua organização. Não. O importante é criar emprego público. Claro que os serviços públicos são necessários e devem ser excelentes, mas isso não se resolve só atirando dinheiro do orçamento para cima. Isso apenas faz crescer a despesa e aumenta a complexa e burocrática organização já existente, que acaba por se expor a jogos de interesses escondidos, o que beneficia a corrupção. Na organização pública das esquerdas, raramente existe responsabilidade individual. As asneiras ficam diluídas no sistema. Não se premeia o mérito de quem faz bem e se empenha. O importante é a função e carreiras em si e não o resultado traduzido em maior eficácia e eficiência.
Pior é a recusa sistemática que habitualmente a esquerda toma relativamente às reformas estruturais. Todos concordam que é preciso mudar, Todavia, qualquer proposta faz agigantar afirmações de inoportunidade, quando não passiveis de ilegitimidade, onde a Constituição é jogada como “bíblia sagrada”. A Constituição, sendo o garante do regime democrático, deve ser também um documento que acompanha o desenvolvimento da sociedade e do mundo.

A nossa Constituição reflete o tempo em que foi elaborada. Se relativamente a valores e direitos universais eles continuam atuais e válidos, já quanto à visão económica e à governança política e á generalização forçada do que é desigual é preciso mudar algumas coisas. Já não vivemos em tempos em que a riqueza era maioritariamente produzida pela indústria manufatureira de baixos salários e reduzido valor acrescentado. Hoje exige-se investi- mento em I&D, empresas modernas baseados no saber, na flexibilidade de gestão, produção eficaz e adaptada à procura num mundo altamente competitivo. É preciso uma visão de futuro com investimento permanente, reconhecimento do mérito e salários compatíveis com a riqueza produzida. Ou seja, tudo o que o Estado não costuma ter, nem fazer e muitas vezes não deixa fazer.
Queremos que tudo se mantenha na mesma? Que seja igual a estratégia até aqui seguida?
Reparem: Nos últimos 20 anos, 13 foram da responsabilidade do PS, com a agravante de 4 dos 7 da responsabilidade do PSD se terem situado num período de resgate financeiro pedido pelo primeiro em consequência das opções de governo socialista seguido.

Portugal, que tinha obrigação de crescer mais que outros, dado o tempo que já leva quanto aos apoios comunitários recebidos, tem andado a gastar o dinheiro, centrando a prioridade na melhoria das condições de vida no investimento em industrias não reprodutivas, esquecendo ou deixando para os outros o investimento para se produzir mais, exportar mais, crescer de dimensão para ganhar competitividade. As esquerdas não mudam. Querem aumento de rendimentos por decreto, pois tudo o que fale em riqueza é ameaça dos ricos do neoliberalismo. O resultado está a vista e vai continuar a ser o mesmo, ou seja: aumento da administração pública e consequente despesa; aumento forçado dos rendimentos para sustentar consumo. Como não aumenta a riqueza produzida, aumentará certamente endividamento das famílias e do Estado. Já todos sabemos quem acaba por ganhar: O Mundo financeiro, que originou aos desmandos da Banca, seus banqueiros e bancários.
Haverá quem diga que o PSD não fará diferente, pois o regime político que vigora atualmente em Portugal os fez juntar ao centro do espetro político tradicionalmente conhecido. Ou seja é indiferente ser o PS, ou o PSD a governar.
Não. Não é verdade.

Apesar do PS e seus analistas políticos situarem o PS com na matriz social-democrática, por enviesamento de vistas da família europeia, conhecemos a origem e sua opção pelo socialismo internacional. Apesar da sua deriva para o centro, os princípios não se mudam tão depressa. Basta olhar para os parceiros políticos do PS. Não são da escola da social-democracia, mas o socialismo mais radical.
Os mesmos analistas e pelas mesmas vistas, situam o PSD como um partido de direita, apesar de saberem que sempre este manteve a sua orientação fundacional na social-democracia, posicionando-se ao centro, apesar de termos companheiros europeus mais conservadores.
O PSD em Portugal incluiu no seu eleitorado os cidadãos que se sentem próximos de uma esquerda europeia social-democrata, mas igualmente todo um povo que na sua história e cultura acolhe opções mais conservadoras, o que muitas vezes é confundido como sendo da direita neoliberal. Há uma identidade própria do PSD que o torna visivelmente diferente do PS, direi eu, substancialmente diferente, quando tentamos adivinhar a mente política dos jovens líderes do PS.

Ambos querem melhorar a qualidade de vida dos Portugueses, mas o PSD sabe bem que para termos melhor qualidade de vida, devemos produzir primeiro mais riqueza.
A sociedade moderna vive suportada na conhecida classe média, aquela em que existe melhor equilíbrio entre o que produz e o que recebe como rendimento. Esta classe média está a desparecer em Portugal, afogada em impostos (diretos e indiretos). O PS também os quer ver diminuir, mas para garantir opções públicas o Estado precisa de dinheiro. O PS anda aos solavancos com medidas aqui e ali, tentando dar poucochinho a todos. Falta-lhe coragem para mudar, por isso apela à continuidade.
Quero sair deste marasmo político, que o PS considera “estabilidade”.

Esta mudança só se consegue com a alteração de estratégias políticas. Uma mudança sustentada nos princípios reformistas da social-democracia. Uma mudança que afaste a agressão fiscal dos mais capazes. Uma mudança sem revoluções, mas também sem temer fantasmas do passado de longa data. Uma mudança que inclua todos e, não busque inimigos nos mais ricos. Uma mudança que dê oportunidade aos menos favorecidos no início de vida, dotando-os de conhecimento diferenciado capaz e os induza a quebrar medos de investir para criarem riqueza, fazendo-os pensar mais em trabalho e menos em emprego.
Só temos uma oportunidade para isso, votando no partido que defende o que agora exponho como esperança. O único que pode ser a alternativa possível a um Governo cansado e acomodado, que apenas deseja reforçar o poder que já exerce com arrogância.
Cuidado! Pensem bem nisto!

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