Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Fechar a porta à diabetes

Aprender a viver sustentavelmente com o Programa Eco Escolas

Escreve quem sabe

2011-02-01 às 06h00

Ana Ni Ribeiro

Cada vez mais chegam à minha consulta diabéticos tipo 2, e com idades cada vez mais novas. A Diabetes tipo 2, ocorre em indivíduos que herdaram uma predisposição para a doença e que, devido a factores ambientais, entre os quais os hábitos de vida, como a alimentação hipercalórica e o sedentarismo, vêm a sofrer de diabetes.

Os números referentes a pre-valência e complicações divulgados este ano pelo observatório nacional da diabetes de tipo 2 são, no mínimo, apavorantes. Existem no nosso país aproximadamente novecentos mil diabéticos, o que equivale a 11,7% da população entre os 20 e os 79 anos, e que desses, avaliados por defeito, circularão por aí sem diagnóstico cerca de quatrocentos mil.

Significa isto que os números revelados ultrapassam largamente a previsão que se fazia para 2025, onde se calculava que poderia atingir a percentagem de oito por cento.
Significa ainda que estes mesmos números se desmultiplicarão em custos directos que se avaliam em cerca de mil milhões de euros. Como se calculava que a estes venham juntar-se novos diagnósticos anuais da doença na ordem dos sessenta mil, ficamos com uma ideia aproximada da dimensão do problema de saúde pública gerado pelo número de casos existentes e pelo seu imparável crescimento regular.

Estudos mostram-nos que o gene da doença terá sido muito útil ao longo da evolução para que melhor pudéssemos resistir a condições alimentares adversas. O pior é que a genética não evoluiu tão rapidamente como as condições de vida, e a mesa farta, o sedentarismo e as angústias relacionadas com a organização familiar e social, voltou-se contra nós.

Todos os diabéticos que reflectem sobre as manifestações da doença e acatam as recomendações e conselhos do médico e nutricionista, sabem bem que se andarem em paz, comerem nas quantidades saudáveis e mantiverem uma actividade física regular, é muito mais fácil manter os níveis do açúcar dentro dos parâmetros considerados normais e que, muitas vezes, estas medidas simples chegam para que o metabolismo norma-lize sem necessidade de utilizar medicamentos.

Muitas vezes este primeiro passo é o suficiente para manter a Diabetes controlada (pelo menos durante algum tempo... que pode ser de muitos anos). Quando não dão este primeiro passo, caminharão no sentido das complicações tardias e indesejáveis da doença. O observatório diz-nos que durante 2008 houve 1600 amputações, que cerca de um quarto de todos os doentes em diálise padecem de diabetes e que a doença é, entre nós, a principal causa de cegueira.

E se a morbilidade é grande a mortalidade não é menos importante: basta lembrar que segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada dez segundos morre uma pessoa vítima da doença. Daí que se multipliquem os avisos para que nos empenhemos seriamente em modificar estilos de vida propiciadores da sua manifestação, isto é, para lhe fecharmos a porta e impeçam de entrar.

As pessoas susceptíveis podem evitar a diabetes:

• Fazendo uma alimentação adequada, com a ajuda de um nutricionista e emagrecendo sempre que necessário
• Aumentando o exercício físico
• Fazendo análises regulares dos níveis de glicose no sangue

O conhecimento de familiares próximos com diabetes e a obesidade são, entre outros, avisos preciosos para dar a volta à chave e mudar de vida. E vale a pena a mudança porque, mesmo que os alarmes sejam falsos, ela leva a mais tempo de vida, mais genica e mais saúde.
Temos de mudar estilos de vida proporcionadores da doença!

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