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Fazer política

Fernando Silva, o tocador de sinos de Tibães

Fazer política

Ideias

2020-01-24 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Francamente, não vejo, esta semana, nenhum fato político de interesse. Nem a eleição do líder do PSD me inspira qualquer reflexão, nem a telenovela do Livre justifica comentários, e a saída de Harry de debaixo da saia da avó só interessa aos defensores do Brexit porque dilui a contestação e as consequências do abandono da Inglaterra da EU. Fica-nos a discus- são do orçamento na especialidade. A direita destrambelhada não terá a dizer nada de significativo. A esquerda quererá mais despesas, mesmo que signifique mais défice, ou mais impostos. Resta-me fazer filosofia política, já que desanuvia pensar o processo político e a realidade por debaixo da espuma e o palavreado.
Ora, segundo a abordagem tradicional, as políticas são respostas aos problemas elencados nos programas eleitorais de cada partido. E estes são o desdobramento dos programas partidários; e, por isso definir com rigor a matriz do partido é muito importante. Neste contexto, os meios de informação e a opinião pública são considerados neutrais. Por outro lado, os eleitores são considerados racionais, votando segundo os seus interesses, sendo que a avaliação do partido vencedor se faz no fim do mandato. Rui Rio tem esta visão do processo político.
Mas nem os eleitores são racionais, desde logo porque uma parte são militantes partidários, nem têm informação completa e as suas perceções são manipuladas pelo partido do governo e pela opinião pública.
Em boa verdade, o processo político é dinâmico e os problemas nascem no decorrer da legislatura, influenciados pelos grupos de interesses e lobbies. Por outro lado, são moldados pelos meios de comunicação social. E, neste contexto, os cientistas políticos chamam de pluralismo. Os governos respondem às pressões dos interesses e da opinião pública, desacreditando os líderes dos gru- pos, negociando as políticas, dando razão, mas mostrando-se incapazes de o fazer e, finalmente, adiando o processo de decisão. Neste modelo, o partido do governo não põe de lado o seu programa, mas este tem apenas o papel de orientador do receituário.
Como se avalia um governo deste tipo? Se o anterior se avalia pelas leis publicadas, ou pelos resultados obtidos em contraste com os objetivos pré definidos, neste caso o governo avalia-se em função da paz social, do bem-estar, da segurança, do nível de emprego, etc.
António Costa é um político que gere o dia a dia em função destes objetivos e não de indicadores definidos previamente. E, neste sentido, é um pluralista e um realista, já que o modelo racional é uma ilusão.
E, correndo o risco de ser politicamente incorreto, não posso deixar de lembrar José Sócrates, o qual não encaixa em nenhum dos dois modelos. Em quanto primeiro-ministro, tinha um ideia para o país que passava pela alteração do modelo económico, através do investimento em educação, energias renováveis e novas tecnologias. Mas ao tentar implementar esta ideia, e sendo um megalómano e um desequilibrado, atacou grupos de interesses que aproveitando-se dos seus erros e desvios só ficaram satisfeitos quando o comeram vivo. Em resumo, não era pluralista, nem racional. Porque não negociou, nem mediu as consequências da prossecução dos objetivos. E, está perdido porque todos lhe atribuem, com ou sem fundamento, as maiores vigarices e atos de corrupção. Como diz o povo “ quem não se quer molhar não anda à chuva”.

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