Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Fazer melhor, ouvindo os cidadãos

Dia de sol

Ideias Políticas

2018-02-13 às 06h00

Carlos Almeida

Inserido numa visita oficial da Câmara Municipal de Braga, tive a oportunidade de visitar as obras de remodelação do Parque de Exposições de Braga.
Realço com agrado a iniciativa, no entanto aproveito para referir que seria óptimo se esta postura se generalizasse, ou seja, que a maioria que governa o município envolvesse, escutasse e colhesse contributos da oposição com maior regularidade e nos momentos (mais) certos. Na verdade, na oposição estão vereadores, embora sem pastas ou tempos atribuídos, democraticamente eleitos e legítimos representantes dos eleitores do concelho. Não quer isto dizer que os cidadãos não devam ser convidados a participar e ouvidos directamente. Pelo contrário, devem ser envolvidos nos processos de decisão de diversas formas e levados a sério.

Procurando explorar essa possibilidade, por exemplo, ainda na última reunião do Executivo Municipal propus que os responsáveis pelo Urbanismo, Trânsito e Mobilidade realizassem com brevidade uma exposição pública, auscultando as forças políticas e os cidadãos em geral, sobre as anunciadas intervenções na Rodovia, avenidas da Liberdade e 31 de Janeiro, e variante da Encosta. A concretizar-se será, sem margem para dúvidas, um momento único de debate privilegiado sobre as dificuldades actuais destas vias, soluções previstas e a sua conjugação com as necessidades dos cidadãos. Melhor, obviamente, teria sido se o município tivesse promovido essa auscultação previamente, com tempo e vontade para, genuinamente, ouvir as vozes da cidade, antes de elaborado o projecto, dado que agora será sempre complicado contrariar as suas ideias centrais, remetendo os contributos apenas a ajustes e questões de pormenor, o que ainda assim é melhor do que nada, registe-se.

Este é um problema que vem de longe, é verdade, mas em bom rigor muito pouco tem sido feito para ultrapassá-lo. Exceptuando-se uma ou outra apresentação pública de projectos, na maioria das vezes poucos dias antes do arranque das obras, nada mais foi feito e isso é muito pouco.
Podem os decisores políticos fazer mais? Penso que sim. Podem e devem convidar os cidadãos, chamá-los à participação. Podem, por exemplo, usar os meios de comunicação do município (tantas e tantas vezes usados a despropósito) para anunciar que estão a trabalhar em determinado projecto, ouvir as sugestões dos munícipes, responder às suas inquietações. Podem promover sessões públicas, fóruns de ideias, reunir com as forças políticas representativas e com o movimento associativo popular. Podem, por isso, fazer muito mais. Mas isso só valerá a pena se for para levar em conta quem ouvem, de forma séria e com consideração. Não se trata de aceitar todos os pontos de vista seria uma tarefa inglória -, mas de reunir consensos na procura das melhores respostas, do melhor serviço público possível, aprofundando ao máximo a democracia participativa.
Penso que este é um caminho fácil de fazer, estando só dependente da vontade política de quem governa, porque os meios já existem e os cidadãos estão cansados de esperar por melhores dias.

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