Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Família (im)perfeita

O mito do roubo de trabalho

Escreve quem sabe

2016-04-10 às 06h00

Joana Silva

A amplitude do conceito de família é complexo e não linear. A definição em si, família, remete para valores como a união, o apoio emocional, o companheirismo quer em momentos de alegria quer na tristeza, solidariedade, segurança entre outros aspetos. Já reparou que algumas das estratégias de marketing de promoção ou venda de produtos em spots publicitários assentam nos valores atrás descritos?! Se fossem inquiridas um conjunto de pessoas onde fosse solicitado o seguinte: “Numa palavra, como define a família”, as respostas iriam ser surpreendentes.

Possivelmente se constataria que grande parte das pessoas inquiridas tenderia a atribuir qualidades positivas à mesma. Neste sentido, seria mais fácil verificar uma resposta do género “Família é união” do que “A família é desunião”. Esta situação pode ser significativa em âmbito público, no sentido figurativo do que deveria ser (idealização) e não representativo provavelmente em esfera nuclear, pois a família como “pilar” ou perfeita pode nem sempre existir. Quer-se com isto dizer que as famílias disfuncionais existem, assim como também as famílias podem adoecer. Ao contrário do que se possa pensar o corpo tanto sofre das maleitas físicas como as da alma (emocionais).

Famílias em permanente conflito e emaranhadas em discussões (entre membros); famílias em que os membros, progenitores e descendentes, não se respeitam entre si (ex. insultam-se mutuamente etc.); famílias que são marcantes pelos traumas (ex. o abandono emocional - negligência em termos afetivos, maus tratos físicos e psicológicos que se refletem nos relacionamentos afetivos em idade adulta desde falta de auto estima, dependência emocional face a outrem ) ; famílias que pretendem impor vontades ou que tentam “impedir de voar” (ex. As outras pessoas é que são merecedoras do sucesso… ), não são de todo modelos de famílias saudáveis ou felizes.

Apesar de habitarem juntas não significa que sejam unidas. A sociedade por vezes sem conhecimento de causa julga todos aqueles que cortam o vinculo moral e emocional familiar. Um dos exemplos mais comuns é “Aquele filho(a) nunca quis saber mais dos pais, nem sequer os vem visitar. Um(a) filho (a) ingrato(a).” A sentença está erradamente atribuída, “Filho(a) ingrato(a)”. É importante conhecer todas as causas desde a “raiz” até à situação atual. Assim sendo, não podemos esperar que determinada pessoa, neste caso “o(a) filho (a) ingrato (a)” tenha amor, carinho e atenção para com o pais que durante a infância o (a) maltrataram ou que não lhe transmitiram amor. Tomando por analogia os diagnósticos médicos, cada caso familiar é um caso e não se deve generalizar. Posto isto, tal como na amizade, também se opta (em certa medida ) em termos familiares. Apesar da obrigação moral de identificação familiar, “Sim eu pertenço à família X ou Y. Sim é meu familiar.”, os maus tratos emocionais ao longo da vida podem impor a separação, sem culpas.

É compreensível, que expressar abertamente o sentido real familiar em que se vive seja difícil, pode até ser de embaraço emocional. Há quem diga que é preciso coragem… mas haverá maior coragem do que conviver em ambiente de família disfuncional (onde os problemas persistem e mesmo assim prevalece a esperança de algum dia ser/ter uma família feliz) ?! Felizes os que tem uma família perfeita. Felizes também todos(as) aqueles que apesar de terem uma família “(im)perfeita” respeitam e aceitam os que são o seu aposto no domínio emocional e que apesar das circunstancias fazem outras pessoas felizes à sua volta.

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