Correio do Minho

Braga, quarta-feira

(Falso) Moralismo e Despesismo

O que nos distingue

Ideias Políticas

2014-11-18 às 06h00

Pedro Sousa

Já lá vai mais de um ano desde que a Coligação Juntos por Braga venceu de forma esclarecedora as eleições autárquicas mas é claro para todos, ou pelos menos para muitos, que o Sr. Presidente da Câmara ainda não se adaptou às novas funções. Tal facto, fica bem evidente de cada vez que o Dr. Ricardo Rio não está, institucionalmente, à altura das funções que desempenha e, sobretudo, quando criticado nas suas opções, vocifera em decibéis desajustados ao sadio debate democrático contra tudo e contra todos, tal e qual fazia enquanto líder da oposição.

No contexto das já habituais vociferações do Sr. Presidente da Câmara há uma que está absolutamente gasta tantas têm sido as vezes que este a repete. A afirmação de que a Câmara Municipal de Braga está quase falida, de que a Câmara Municipal de Braga está à beira da ruptura financeira, de que não há dinheiro para nada, nem para coisa nenhuma e de que, provavelmente, a Câmara de Braga necessitará de um resgate financeiro é, de longe, a intervenção política mais vezes repetida por Ricardo Rio.

Tal não corresponde, de todo, à verdade mas não sou eu, apenas, que o digo. Com bastante mais propriedade do que eu, dizem-no de forma bastante clara todas as últimas edições do Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, instrumento de estudo elaborado, por exemplo, por instituições tão credíveis como a Universidade do Minho, o Instituto Politécnico do Cávado e do Ave e, ainda, a Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas que, em todos estes estudos, colocaram a Câmara de Braga como tendo uma boa saúde financeira.

Mais há mais. Há pouco mais de uma semana, veio, também, a DGAL, Direcção Geral da Administração Local, desmentir o Dr. Ricardo Rio, através de um relatório que dá conta de quais as Câmaras Municipais que, ao longo dos últimos três anos, apresentaram contas equilibradas e despesas com pessoal e com aquisição de serviços inferiores a 35% da receita média arrecadada durante esse período, situação considerada óptima e que permite, inclusive, às Câmaras Municipais nestas circunstâncias, aumentar a massa salarial.

O Dr. Ricardo Rio não deve ter gostado muito mas Braga é uma das Câmaras que se encontra nesta situação, facto que, qual castelo de cartas, faz cair toda a sua argumentação e estratégia de comunicação que passava e passa por atacar o passado e dizer que o presente e o futuro da Governação Municipal, da sua Governação, não será fácil, dado que herdou, nas suas palavras, uma Câmara profundamente endividada.

Fica, assim, claro que a situação financeira da CM de Braga não é de ruptura, nem, tão pouco, de emergência pelo que o Sr. Presidente da Câmara terá, agora, de começar a mostrar trabalho, uma vez que este grande biombo atrás do qual se refugiou no último ano para escamotear a sua incapacidade de liderança política, começa, agora, a revelar-se um verdadeiro embuste.

Principalmente, tendo em conta que, ao longo do último ano, tomou algumas decisões de gestão questionáveis e censuráveis, no meu entender, na medida que não defendem, nem promovem o interesse público.

Será que alguém entende que numa Câmara à beira da “suposta” ruptura financeira se entregue, por via de ajustes directos, a produção da Noite Branca por mais de 54 mil €uros, a que se acrescem mais 41 mil €uros a uma empresa do Sr. André Sardet que, curiosamente, participou na campanha eleitoral do Dr. Ricardo Rio, na altura líder da Oposição à Câmara de Braga? Parece-me legítimo perguntar se não estarão todos os Bracarenses a pagar a campanha do, agora, Sr. Presidente da Câmara.

E o que dizer de um ajuste directo de mais de 46 mil €uros para aquisição da prestação de serviços de aluguer de material de áudio e vídeo para transmissão, ao vivo do Mundial de Futebol do Brasil? Fará isto sentido numa Câmara quase falida e que se tem, por exemplo, negado a realizar obras de importância central em muitas Freguesias do Concelho? Fará isto algum sentido quando, no passado, o custo desta estrutura foi, sempre, suportada por uma conhecida marca de cerveja, patrocinadora das festas da cidade e, principalmente, quando esta estava disponível para continuar a fazê-lo?

E podia ir por aqui fora. Em pouco mais de dez meses, foram gastos mais de 500 MIL €UROS em ajustes directos de interesse público muito duvidoso. Moralismo, aliás, falso moralismo e despesismo são, estas, duas das principais faces da acção política com que o Dr. Ricardo Rio nos tem brindado. Braga merece o melhor, mas o melhor não é, com toda a certeza, isto e isso fica, dia após dia, bem claro para todos os Bracarenses.

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