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Falar pelos cotovelos - pedido de atenção

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Falar pelos cotovelos - pedido de atenção

Escreve quem sabe

2024-06-16 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

Há uma grande diferença entre as pessoas que são sociáveis e que gostam de falar e nos deliciam com o seu dom para a oratória, e pessoas que falam compulsivamente sem parar. Falam sem parar quando estão diante de outras pessoas conhecidas ou não, que as escutam. Falam sobre “tudo e mais alguma coisa” e “engatam” assuntos (expressão popular), em que um ainda não terminou, já mudou o discurso para outro. Falam e “não deixam falar”, pensam muito mais rápido do que o que verbalizam e tendem a não escutar os outros. Falam e fazem perguntas a alguém, e tendem a não esperar que haja uma resposta da outra parte, pois já a dão. Apresentam serias dificuldades em estar em silêncio pois ora “falam pelos cotovelos ou então, se não estão a falar, fazem “barulhos com a boca”, como por exemplo, cantarolar a melodia na rádio ou televisão, para “cortar” o silêncio. Falam, muitas vezes de assuntos interessantes a si próprio/a (e não tem a perceção que falam do mesmo, vezes e vezes) e não aos outros que o/a escutam, evidenciando particularidades no discurso: “eu”, “a minha família”, “os meus amigos/as”, “a minha vida”. Também por outro lado, pode falar de outras pessoas conhecidas não no fator depreciativo, mas em que o/a próprio/a tem de ter sempre destaque … “Aconteceu-lhe isto a um/a conhecido/a…. Mas eu faria assim”. Tende a ser mais expansivo/a quando está diante de pessoas que mesmo interessadas/os no que diz, se mostram atentas e escutam por cortesia social. Não obstante fala muito também, na presença de pessoas que nem tanto simpatiza, mas que a tensão emocional é tão grande que acaba por “libertar” a tensão de ver determina pessoa, através de um discurso rápido e sem grande estrutura de assunto. Fala porque podem padecer de uma patologia como a verborreia ou logomania. Quais as possíveis causas deste comportamento. Uma das muitas causas mais categóricas é a ansiedade e/ou a carência afetiva (por vezes já com algumas evidencias de depressão). Fruto de ambientes em que “não tem voz”. Suponha-se alguém que porque o ambiente familiar é reativo e disfuncional, não tem a oportunidade de se expressar como desejaria, fora desse ambiente por exemplo, em contexto profissional (é onde passa a maior parte do dia) ou em vida social (com as amizades), fala sem parar. Também poderá estar relacionado o facto de se sentir-se sozinho/a, abandonado/a, desprotegido/a, sem que não sinta a atenção de ninguém. Falar muito traduz-se numa espécie de negação a si próprio/a de que a sua vida é diferente. Quer-se se com isto dizer que evidencia aos outros uma vida que na realidade não a tem, ou vive. A titulo de exemplo, pode-se por exemplo dizer aquela pessoa que fantasia através do relato, que foi a um lugar maravilhoso e de facto, na verdade não aconteceu. Há quem denomine este comportamento de “o mostrar-se”, mas na realidade esta necessidade de…, oculta uma outra resposta, pautada pela dor e vazio emocional. Uma “fantasia” que “consola” emocionalmente e que faz acreditar que a sua vida é diferente daquela que vive. Como lidar com pessoas que falam muito. Pessoas que falam muito, tendem a perder amizades, porque são entendidas como pessoas extenuantes. Procuram saber respostas porque as outras pessoas as evitam e neste sentido devem ser orientadas que o problema pode não está nas outras pessoas, mas sim nelas próprias. Se para si, for uma pessoa significativa (com a qual tem de interagir regularmente) de uma forma assertiva, transmita-lhe que gosta de a ouvir e faz todo o gosto, mas que há momentos em que quer estar sozinho/a nos seus pensamentos e que repara que é interrompido/a com muita frequência e que sente que a/ o mesmo/a tem necessidade muito grande de falar, pelo que deve procurar ajuda especializada a fim de intervir na causa que despoletou o comportamento. Por outro lado, se a pessoa não for significativa, isto é, de convívio pontual, e se sente desconfortável e não está interessado/a em escutar, sorria e mantenha ocular com a pessoa e diga, “Desculpe, tenho de responder a uma mensagem ou e-mail, importante.” ou responda de uma forma direta e praticamente conclusiva às intervenções com o “sim, não ou talvez”. Em jeito de conclusão, nem sempre falar muito é sinonimo de realização pessoal e felicidade. Há sinais em histórias que nos narram que merecem a nossa compreensão, e que significam pedidos de atenção.

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