Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Fafe: cidade cultural!

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Ideias

2012-03-12 às 06h00

Artur Coimbra

Gostaria de aproveitar a crónica de hoje para falar de cultura. Da cultura que se promove em Fafe, bem ao lado de Guimarães, a Capital Europeia da Cultura 2012, e que os leitores certamente ganham em conhecer.
Da onda de eventos culturais que nas próximas duas semanas invade diferentes palcos da cidade e do município, no âmbito da terceira edição das Jornadas Literárias de Fafe. Fafe institui-se, assim, como uma autêntica cidade cultural, pelas razões que vamos ver a seguir.

O certame arrancou oficialmente na noite da passada sexta-feira, no Pavilhão Multiusos, com um grandioso espectáculo, de homenagem à cultura brasileira, de raiz portuguesa, e à cultura portuguesa em geral. Mais de 1500 crianças e jovens, de escolas e instituições diversas, participaram activamente na representação, que incluiu momentos de poesia, danças afro-brasileiras, patinagem artística, actuação de tunas, ranchos folclóricos e ballet, entre outras, enchendo por completo o recinto, com mais de 3 mil pessoas e que contou com a presença do escritor Fernando Pinto do Amaral, Comissário do Plano Nacional de Leitura, em representação do Ministério da Educação.

As III Jornadas Literárias desenrolam-se na cidade até 24 de março, movimentando milhares de pessoas, num vasto conjunto de iniciativas, que resultam de uma parceria entre a autarquia e todas as escolas e agrupamentos do concelho, dos vários graus de ensino, além do movimento associativo, academias de música e de bailado e da grande maioria das juntas de freguesia, num esforço conjunto e sem reservas que importa enaltecer.

O evento assume-se como um hino de louvor à cultura fafense, em que os protagonistas, mediante as suas disponibilidades e capacidades, erguem as suas vontades em torno de uma causa maior, a de animar culturalmente a cidade e o território fafense, sob o tema “Fafe dos brasileiros”.
Aliás, a intenção subjacente ao evento é a da afirmação da marca “Fafe dos brasileiros”, que identifica historicamente esta ci-dade, dos pontos de vista cultural, patrimonial, turístico e até económico.

As Jornadas incluem também uma vertente importante nas freguesias, onde estão a ser recriados personagens e momentos da história local, da segunda metade do século XIX aos primeiros anos do século seguinte, em acções conjuntas das autarquias e das associações locais.
A primeira semana do evento, centra-se em actividades volta-das para a comunidade envolvente, incluindo o lançamento de obras literárias, espectáculos musicais e recriações epocais. A segunda será mais virada para a vida no universo escolar, com exposições, visitas de escritores, oficinas e outras actividades.

Momento alto das Jornadas acontecerá na tarde do domingo, 18 de março, com a recriação da vinda do Rei D. Carlos a Fafe (a qual aconteceu efectivamente em 1906 e 1907). Será a maior manifestação de cultura popular e de participação das freguesias. Milhares de pessoas estarão neste evento, sendo que 4 mil são figurantes que virão sobretudo das aldeias.

Na noite de 24 de Março, tem lugar o espectáculo de encerramento das Jornadas, e que inclui a execução da obra “Alma, Cantata Opus 23 (2008)”, interpretada pela Orquestra e Coro da Academia de Música José Atalaya (Fafe) e centrada no romance homónimo de Manuel Alegre, que poderá vir a estar presente na oportunidade.
A segunda edição das Jornadas, em 2011, teve a adesão de cerca de 10 mil pessoas. A edição deste ano conta ultrapassar aquela marca, o que é fantástico para uma cidade média como Fafe!...

Mas este ano Fafe não conta apenas pelas Jornadas, do ponto de vista cultural. Pela mítica casa de espectáculos da cidade, o Teatro-Cinema, já passaram e vão continuar a passar grandes concertos musicais com nomes sonantes da música nacional, além de produções locais, da música, do teatro, do bailado e de outras artes.

Os Gift tocaram cá em Janeiro e Áurea cantou em Fevereiro. Vitorino, em Abril, Clã, em Maio, Luís Represas em Outubro e Ana Moura em Dezembro serão outros momentos altos da programação cultural em Fafe, que será enriquecida com um projecto cultural voltado para os mais jovens, em espectáculos para públicos mais alargados e que arranca já no final deste mês com um concerto dos Santos e Pecadores. Por esse projecto inédito - música com causas - passarão ainda as bandas Moonspel em Junho e os Fingertips em Setembro.

Muitas outras formas de cultura continuam a ser exercitadas nesta cidade, desde manifestações de criatividade popular à cultura mais erudita, dos encontros de reis e de coros ao lançamento periódico de obras literárias (fortemente apoiadas pelo município) e à abertura de exposições de artes plásticas, para todos os públicos.

Aqui ao lado da Capital Europeia da Cultura, há uma cidade que vive e investe na cultura os parcos recursos de que dispõe para o efeito. E que consegue mobilizar toda uma população para se sentir parte de um projecto de criação, fruição e promoção cultural nas suas diversas formas.
Julgo que merece a melhor atenção dos leitores minhotos!

PS - Hoje não falo de mais uma inqualificável trapalhada de Cavaco Silva, neste caso, do ajuste de contas póstumo com José Sócrates; nem de mais um rol de excepções aos cortes dos ordenados dos trabalhadores em funções públicas, beneficiando a TAP, a CGD e outras que aí vêm, como se a repartição dos sacrifícios neste país tivesse duas faces. Nem das caricatas explicações do ministro Miguel Relvas a tal propósito…
A cultura, na verdade, é uma causa maior!

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