Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Exames não são panaceia para todos os problemas

Jornais centenários: unanimidade no Parlamento

Ideias Políticas

2016-04-01 às 06h00

Maria Augusta Santos

O Conselho de Ministros aprovou recentemente o modelo integrado de avaliação externa das aprendizagens no Ensino Básico. Continuam os exames do 9.º ano e deixam de se realizar exames nos 4.º e 6.º anos, sendo introduzidas provas de aferição a meio de cada um dos três ciclos do Ensino Básico.

O novo modelo tem como objetivo a promoção do sucesso escolar: as provas de aferição, realizadas a meio dos ciclos (2.º, 5.º e 8.º anos), servindo como instrumentos de diagnóstico, permitem identificar a tempo o que haja a reforçar, corrigir, melhorar nas aprendizagens. Deve, assim, ser mais fácil não deixar a identificação das dificuldades para o fim dos ciclos de estudos, podendo agir a tempo e, desse modo, promover o sucesso educativo.

Desde o anúncio das linhas gerais do Modelo de Avaliação Externa, em janeiro, realizaram-se centenas de reuniões com escolas, e com outras entidades, onde se analisou o modelo e a sua aplicação. Como resultado desse processo de diálogo, o Ministério da Educação entendeu que devia dar às escolas a possibilidade de aplicar este ano um regime transitório.
O regime transitório permite às escolas que, fundamentadamente, entendam não ter condições para a melhor aplicação do Modelo já este ano, possam não realizar no ano letivo corrente as provas de aferição.

Do mesmo modo, as escolas que pretendam ainda este ano obter dados de fim de ciclo, poderão decidir realizar provas de Português e Matemática, nos 4.º e 6.º anos, com carácter de diagnóstico.
Para estes casos, o Ministério disponibiliza uma matriz de auxílio à sua realização.

É inaceitável que o PSD e o CDS, em vez de deixarem que a comunidade educativa se concentre na boa aplicação deste modelo, continuem a laborar no erro de julgarem que os exames são a panaceia para a resolução de todos os problemas, desprezando o resultado do trabalho profundo do Ministério da Educação com as escolas.

A forma de aplicação deste Modelo, incluindo o período transitório no corrente ano letivo, é o resultado do diálogo intenso e profícuo com as escolas, prática bem diferente da de Nuno Crato, que tudo mudou (avaliação, currículo, horários) sem nunca ouvir ninguém. Ao contrário do anterior ministro, agora o Ministério da Educação trabalha com os diretores das escolas - e é desse trabalho que resulta esta concretização do Modelo anunciado nas suas linhas mestras em janeiro.

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