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Europa: tão perto e tão longe...

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Europa: tão perto e tão longe...

Ideias

2024-06-01 às 06h00

Vítor Oliveira Vítor Oliveira

Antes da ida às urnas, no mês de junho, a Euronews tem ido ao espaço público efetuar entrevistas, pedindo aos eleitores que indiquem uma proposta que fariam, caso fossem eleitos para o Parlamento Europeu. A seguir, elabora a mesma pergunta a candidatos efetivos às Europeias 2024, que respondem sem conhecer a proposta indicada pelo eleitor(a).
Por estes dias, tenho acompanhado algumas respostas. Em comum, por enquanto, tenho verificado uma disparidade latente, em relação ao que os eleitores querem e o que os candidatos prometem. Cito o exemplo dos desejos de uma cidadã espanhola, que é pequena empresária, e as promessas de uma candidata às eleições sobre apoio ao empreendedorismo.
Gloria Muñoz trabalha há 35 anos no Bairro de Salamanca, em Madrid. Se fosse candidata ao Parlamento Europeu, propunha-se fazer um estudo para ser analisado o estado da economia local, de modo a ajudar o pequeno comércio que, na sua opinião, está a desaparecer em Madrid, sobretudo as lojas mais antigas.
Marta Barandiy, candidata belga às Eleições Europeias, confrontada com esta proposta, respondeu taxativamente assim: “Defenderei uma Europa mais forte, a migração baseada nos valores europeus e, sobretudo, os empreendedores. O empreendedorismo individual deve ser en-corajado. E, claro, a justiça social para os empreendedores deve ser igual à dos trabalhadores por conta de outrem”.
Não sei como reagiu a comerciante madrilena quando viu o resultado da rubrica televisiva da Euronews. Não sei qual a interpretação que os leitores vão dar ao episódio aqui mencionado. Apenas sei que a situação retratada pela lojista espanhola vai continuar, aparentemente, sem uma solução. De repente, parece que se tornou moda pegada utilizar frases feitas, açucarar o discurso e adornar o enfeite da embalagem, sem haver um cuidado mínimo com o seu conteúdo! Os cidadãos esperam dos agentes políticos muito mais (e além) do simples “óbvio”. Só assim é que a credibilidade volta a ser restituída a quem se propõe candidatar para servir uma sociedade, europeia ou não.
A realização de um ato eleitoral deveria ser um ponto de encontro entre cidadãos e políticos. Os primeiros manifestam as suas preocupações, apresentam os seus pontos de vista, assinalam o que pode ser melhorado para que os candidatos, com propostas efetivas e verdadeiras, possam suprir as necessidades de quem os elege e proporcionar qualidade de vida e bem-estar às suas pessoas.Se as Eleições Europeias, habitualmente, não mobilizam o eleitorado, a ausência de respostas concretas para o futuro da União Europeia ajudará, ainda mais, a cavar o fosso entre eleitos e eleitores, perdendo-se mais uma oportunidade para discutir temas cruciais.
As pessoas têm problemas reais! Que têm de ser combatidos e resolvidos, com a profundidade e a substância que merecem! Chega de chavões desgastados, discursos pré-fabricados e palavras irrelevantes. Isso só evidencia uma carência de visão política, neste caso europeia!
Sendo assuntos importantes, a campanha tem sido dominada por temas habituais quando se tratam de Eleições Europeias: racismo, intolerância, xenofobia. Parece que não há uma guerra na Europa e que não se pensa nas consequências que daí podem advir. Ou uma guerra no Médio Oriente e os estilhaços que podem provocar...
A resposta da União Europeia a essa crise, o apoio militar e humanitário, as sanções económicas, as relações com países vizinhos, a segurança europeia, a política de defesa comum, a sustentabilidade ambiental, o alargamento da Europa ou a coordenação das políticas económicas são temas que, por si só, exigem uma discussão mais aprofundada.
A Europa enfrenta desafios significativos. E era (é) fundamental que os candidatos digam específica e concretamente de que forma a sua eleição poderá influenciar o debate europeu e contribuir para os interesses dos países que representam. Desta forma, os eleitores estarão mais habilitados de tomar uma decisão (mais) informada nas urnas.

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