Correio do Minho

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EUROFOUND: Sobre a inclusão dos jovens

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Ideias

2015-12-27 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Estamos na época natalícia. Uma época que destaca a solidariedade, Uma festa, uma comemoração, uma efeméride que nos aproxima, um momento que, com mais ou menos fé, nos faz lembrar todos aqueles, com quem temos afinidades, na família, na nossa vasta teia de relações e no nosso local de trabalho.
Assim foi no setor da juventude. Grandes desafios e uma ambição forte! Um grande empenho, desde o início da crise económica em 2008, onde os jovens viram agravar-se as dificuldades de posicionamento, em relação ao mercado de trabalho. Transformando a juventude numa condição social de maior risco de exclusão, em toda Europa, como um dos seus resultados, mais visíveis.
Um afastamento que teve, e poderá ainda, ter consequências graves para os jovens como pessoas, com repercussões diretas na sua realização social e profissional. Consequências para a sociedade, pela instabilidade e sentimento de desencanto das novas gerações, e para a economia como um todo, pelo prejuízo expresso na necessidade de novas competências, exigidas pelos novos ventos de mudança e inovação.
Sendo a este propósito, oportuna uma reflexão, sobre um dos itens da agenda da Cimeira do Grupo da Juventude, realizado em 15 de dezembro, em que o Eurofound apresentou o relatório 'Inclusão social dos jovens', que contou com a participação do seu gestor, Massimiliano Mascherini. Uma boa oportunidade, para explorar os resultados do relatório, fazendo uma análise da situação atual, e indicar as futuras medidas prioritárias, de inclusão social dos jovens, na União Europeia.
Este documento, começando por analisar, a situação que enfrentam os jovens na Europa hoje, aborda as desvantagens cumulativas, decorrentes do desfasamento do mercado de trabalho e da educação. Finalmente, o relatório examina abordagens mais amplas, para apoiar a inclusão social, incluindo vertentes destinadas à capacitação da juventude, e participação na sociedade, como forma de promover a sua empregabilidade.
No contexto político, mais amplo, a estratégia Europa 2020 compromete os Estados-Membros da EU em torno do objetivo de tirar pelo menos 20 milhões de pessoas da pobreza e da exclusão social. Uma meta ambiciosa, que se tornou mais complexa, com o aumento percentagem de pessoas em risco de exclusão social, pelo facto de um grande número de países, terem mergulhado numa crise económica muito acentuada.
Com este empenho político, o desafio do desemprego juvenil passou a ter uma abordagem mais ampla. As soluções apesar de insuficientes, numa primeira fase, tornaram mais eficazes, as medidas de promoção da inclusão dos jovens no sistema educativo, na formação e no emprego. Adianta que, enquanto os jovens podem lidar, relativamente bem, com curtos períodos de desemprego, o desemprego de longa duração, tem um forte impacto negativo, nos seus resultados futuros, no mercado de trabalho e no seu bem-estar psicológico e social.
A este respeito, a Garantia Jovem está a cumprir o seu objetivo, proporcionando aos jovens até aos 25 anos uma oferta de boa qualidade, no prazo de quatro meses de ficarem desempregados, deixarem o sistema de formação ou deixar a educação formal. Uma boa oportunidade, para se operarem reposicionamentos dos diversos parceiros, para melhorar a capacidade dos serviços públicos de emprego, e aumentar a oferta de aprendizagem, ensino e formação profissional, o caso da juventude envolvendo o associativismo jovem, na certificação e no promoção da educação não formal.
As soluções estão a surgir em muitos países, bem como a necessidade de parcerias mais eficazes entre os atores envolvidos, concentradas na melhoria dos programas de transição dos jovens da escola para o trabalho, e a introdução de sistemas de aprendizagem dual. Sendo, no entanto, necessário um maior esforço, para chegar aos grupos etários mais vulneráveis.
Uma abordagem mais ampla para a inclusão social. Iniciativas para a inclusão social que vão para além do mercado de trabalho, onde as evidências dos estudos de caso, não indicam uma clara tendência de crescimento do investimento público nesta área, de acordo com o relatório. Todas estas iniciativas, desenvolvidas principalmente por organizações sem fins lucrativos, com recurso a tutoria e apoio de aconselhamento, de voluntariado e participação cívica, educação e habitação, surgem como os principais pontos de partida. As ferramentas gerais usadas são baseadas em relações humanas (informação, aconselhamento, capacitação), ainda apoiadas pela provisão de recursos (assistência financeira, instalações).
Estas iniciativas são, em muitos casos geridos por entidades privadas sem fins lucrativos e envolver diversas parcerias: colocando muito mais ênfase sobre a motivação e o envolvimento ativo dos jovens, bem como as redes de relações entre pares; aumentando a sensibilidade dos formuladores de políticas, dos parceiros, dos dirigentes e dos técnicos para a participação dos jovens.
Neste contexto, o Roteiro Associativo para a Empregabilidade consubstanciará uma dinâmica em rede, que envolve na Região Norte o associativismo juvenil de base local, as associações de estudantes do ensino superior, que se poderá estender ao associativismo estudantil do ensino profissional. Um contributo que poderá representar uma nova abordagem, numa relação de proximidade e confiança, focada na responsabilização dos jovens nos mais diversos sistemas de Educação / formação, potenciando a sua atitude empreendedora em prol da promoção da empregabilidade das novas gerações.

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