Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Eu vi este povo a lutar

A serenidade dos nossos lugares sagrados

Ideias Políticas

2012-02-14 às 06h00

Carlos Almeida

Ficará, provavelmente, para a história do povo português como um momento de inesgotável coragem e triunfal determinação. Ficará, seguramente, marcado no tempo como um registo da heróica luta travada pelos trabalhadores portugueses contra a ingerência do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, contra as políticas de agressão à soberania nacional, aos salários e aos direitos fundamentais dos trabalhadores, contra o aprofundamento das desigualdades e o alastramento da miséria.

O dia 11 de Fevereiro de 2012 será certamente assinalado no futuro como o ponto de viragem, o marco determinante na definição de um novo rumo para o país.

O dia 11 de Fevereiro foi o dia em que o povo português - trabalhadores, desempregados, reformados e outras camadas sociais mais desfavorecidas - saiu de casa e fez-se à estrada, levando consigo a indignação e a revolta que acumulam há 35 anos.

Foi de indignação e revolta que se encheram as ruas de Lisboa, ocupadas pelas diferentes manifestações que partiram de quatro das principais praças da capital. E foi também a indignação e a revolta que o Terreiro do Paço soube acolher, dando expressão ao sentimento do povo português, farto de ser espezinhado pelas potências europeias, farto de ser subjugado aos interesses dos grandes grupos económicos, farto de ser extorquido pela banca nacional e estrangeira, farto de ser preterido pelos governos de Portugal.

Um sentimento que é ao mesmo tempo de esperança e reconhecimento de que é na unidade e luta dos trabalhadores que encontramos respostas para os problemas que hoje enfrentamos.
Um sentimento que partiu dos quatro cantos do país.

De Braga, bem cedo pela manhã, eram dezenas os autocarros que partiam rumo ao sul, apinhados de gente de todas as idades. Que belo retrato, meus amigos. Famílias inteiras, com a merenda às costas, disponíveis para lutar pelo futuro do seu país.

Por tudo isto, a manifestação promovida pela CGTP no passado Sábado em Lisboa, que juntou à volta de 300 mil pessoas, representou um sinal claro de que os portugueses não baixaram os braços e não se resignam perante as imposições da troika, nem do governo. Evidenciou também aquilo que muitos pretendem abafar - mas desta vez não conseguiram -, a força do povo quando decide avançar e lutar por aquilo que é seu por direito.

É nesta força que reside a esperança, o sonho de mudança. E não venham com a conversa das inevitabilidades. Não tentem sequer apelar à honra nos compromissos assumidos com as instituições financeiras. Essa é a vossa dívida! À qual tereis que somar ainda a dívida ao povo português pelos anos a que o condenaram ao atraso e à pobreza. Não foi o povo que viveu acima das suas possibilidades como nos querem fazer crer.

Pelo contrário, viveu sempre muito abaixo quer das suas possibilidades, quer das suas necessidades. E tudo para manter o nível de vida de luxo de suas excelências e respectivo compadrio. Tudo para que pudessem acumular mais e mais riqueza.

Agora, isso acabou. Quem não quer ver o povo a chamar por uma alternativa política vai acabar derrotado, mais cedo que tarde.
Bem vos dizia o poeta popular: “calai-vos que pode o povo querer um mundo novo a sério”. Chegou a hora de exigir esse mundo novo.

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