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Eu também queria ter Natal...

A irresponsabilidade social da construção civil

Eu também queria ter Natal...

Voz à Saúde

2020-12-22 às 06h00

Joana Afonso Joana Afonso

Sou Médica de Família e, diariamente, me deparo com utentes que, alegremente, dizem “a minha família vem toda no Natal”, “somos mais de 20 pessoas a jantar lá em casa”, “estamos todos bem, não vai haver problema!” ou “2020 foi um ano mau, agora é altura de estar com a família”. Conjugam os verbos no presente como se de uma realidade paralela se tratasse. São planos que farão sentido num futuro, mas não agora. Não, não podemos estar todos no Natal, não podemos esgotar a lotação das mesas e não, não estamos todos bem, por muito que o quiséssemos. 2020 foi um ano mau, não comecemos 2021 de uma forma ainda pior. Escrevo na condição de profissional de saúde e escrevo, ainda mais, na condição de alguém que já tropeçou no maldito vírus da COVID-19. Se eu vos contar que o que mais custa não é o cansaço, não é a tosse, não é a falta de olfato ou paladar mas sim a ansiedade de se estar sozinho, a imprevisibilidade da evolução da doença e, acima de tudo, o saber que podemos ter posto em risco aqueles que nos são mais próximos. Aqueles de quem queremos estar perto, não só neste Natal, mas em todos os que estão para vir (e esses, com certeza, serão muitos mais).
Nesse sentido, a Direção Geral da Saúde lançou algumas recomendações. Parecem simples mas, acreditem, vai ser precisa muita coragem para as fazer cumprir. Nesse sentido, saiba que deve:
1. Cumprir todas as regras que estejam em vigor nesta quadra, em cada um dos concelhos, em termos de mobilidade, aglomerações e ajuntamentos. Sendo que, à data de escrita deste artigo, nos dias 24 e 25 dezembro, apenas será permitida a circulação até às 2h do dia seguinte, estando proibidos os ajuntamentos, na via pública, com mais de 6 pessoas;
2. Se estiver doente ou algum dos familiares estiver doente, ou se o isolamento profilático tiver sido determinado, terá a obrigação de se manter isolado;
3. Reduzir os contactos antes do início da quadra festiva. Não programar visitas aos familiares, mesmo que fora da noite de Natal;
4. Reduzir os contactos em termos de núcleo familiar, sendo mais segura a reunião com aqueles com quem coabitamos nos restantes dias do ano;
5. Manter distanciamento físico na preparação das refeições e, eventualmente, recorrer ao uso de máscara;
6. Arejar espaços e garantir a circulação de ar. Quanto maior o volume de um espaço maior a sua eventual proteção, no entanto, tal não significa que sejam espaços de eliminação de risco. E, nessa perspetiva, esses espaços devem ser repetidamente desinfetados nas suas superfícies e nos objetos de maior partilha;
7. Lavar e desinfetar as mãos frequentemente, respeitar a etiqueta respiratória, utilizar a máscara adequadamente em espaços fechados e na maior parte do tempo de convívio;
8. Evitar partilhar objetos comuns como copos, pratos, talheres ou comandos eletrónicos.
Destaque ainda para o facto de muitos de nós estarmos a recorrer à realização do teste COVID-19 numa falsa tentativa de segurança. No entanto, ressalvo que um teste negativo antes da quadra natalícia não garante que não se seja contagioso nem que não venha a positivar até à data da reunião familiar. Eu também queria ter Natal… e sei que o terei a transbordar da esperança num futuro seguro e mais saudável, porque nunca foi tão importante estarmos longe de quem mais queremos ter perto.
Lembre-se, cuide Si! Cuide da Sua Saúde!

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