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Eu ia sempre levar e buscar a minha filha à catequese Texto David Lima

Não há desculpas

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Conta o Leitor

2022-07-30 às 06h00

Escritor Escritor

Texto David Lima

A senhora Rosário dos Santos ia sempre levar e buscar a filha à catequese, ali na Igreja de Santo Adrião, Quinta da Capela. E, durante muito tempo, perguntava-lhe como tinha corrido, o que fizeram, o que aprenderam… E a resposta era sempre igual:
- Fizemos um desenho. Ou então “A catequista disse que Noé fez uma arca para os animais… E fizemos um desenho”…
Houve um ano que ainda era mais pungente e angustiante a resposta informativa:
- A “Formiga” só fala da vida dela e até chora… A “Múmia” fica sempre lá sentada, caladinha, nunca diz nada. E…fizemos um desenho. Os catequisandos tinham inventado esses nick names, esses epítetos para as “piedosas” deseducadoras.
Ainda andou a pensar se devia inscrever a sua educanda num curso de desenho, a ver se lá aprendiam a doutrina cristã, mas é claro que nunca levou avante esse intento. E também deixou de perguntar o que tinham feito por lá. Passados uns anos, a sua descendente confessou que só se recorda de nada ter aprendido e que a única coisa que lhe interessava é que no fim iam à pastelaria.
O padre bem que pedia, todos os anos, em setembro, nas missas, se entre os fiéis havia interessados em se voluntariarem para serem catequistas. E isso mexia com ela, causava-lhe remorsos: “Sou professora, dou aulas a todos os níveis de ensino, tenho muita formação pedagógica, devia dar o meu contributo”… Mas nunca se decidiu, pois já suspeitava que o sistema iria obrigá-la a não ensinar as crianças a rezar e a não lhes transmitir conhecimentos das bases da fé cristã.
Na semana passada, o sacerdote da sua paróquia, Santa Maria de Ferreiros, disse, na homilia: “Consta-se que na catequese não se ensina nada, não se ensinam orações, fórmulas fixas… Mas alguém ensinou os miúdos a falar com os pais? Não, pois não? E eles falam”!... Isto debelou a sua consciência pesada por nunca se ter oferecido para catequisar, aí está a prova de que ir a essas aulas da igreja é inútil e desnecessário.
Os muçulmanos, sim, aprendem em crianças a rezar cinco vezes por dia. Ela viu em França, no Qatar, em Londres, em Cabo Verde: ao chegar aquela hora, estejam no trabalho ou onde for, eles lavam as mãos, estendem o tapete e rezam. Os católicos, não, não precisam. No templo maior da Igreja Universal do Reino de Deus, IURD, lá vão, em família, para o culto; as crianças, de todas as idades, vão para uma sala onde estudam a Bíblia, a sério. A pedagogia moderna ainda não chegou ali, não vão fazer desenhos. Em todas as outras denominações cristãs é igual, ganham aos católicos por vinte-zero, todos os dias.
Mas depois lá chega o dia da Comunhão Solene, uma evento importante para o ego e a vaidade, um rito exterior. E, na maioria dos casos, “adeus, catequese” e frequência da eucaristia, porque têm vergonha de continuar, isso é para os betinhos, para os meninos da mamã, só não têm vergonha de enveredar por outros caminhos… Quando é a própria Igreja que faz o que pode para descristianizar a Europa, estamos mal.
Até as homilias das missas devem ser catequese, mas os sacerdotes dizem sempre o mesmo, que é uma de duas coisas: ou que “aquilo que acabámos de ler e ouvir não é para levar à letra, é tudo simbólico”, ou seja, é melhor não ligar nada ao que dizem as Sagradas Escrituras, ou, então que “Deus ama a todos de forma igual e a misericórdia de Deus é muito maior que todos os nossos pecados, por maiores que sejam”… Uf, que alívio, diz ela que vai pecar quanto quiser, que Deus perdoa… Podemos roubar, matar, fornicar todos os dias, mentir, defraudar…não há crise; até costumam acrescentar que Jesus já perdoou há dois mil anos, os nosso erros de ontem, de hoje, de amanhã.... A verdade é que não dizem: não ensinam que é preciso evitar o pecado, que é necessário uma contínua conversão, que devemos nos arrepender e ir à confissão, com o intuito de não voltar a pecar. Isso nunca dizem, andam a enganar as pessoas., (diz ela).

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