Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Etnocentrismo e Turismo 2.ª parte

Portugal Menos, Portugal Mais

Ideias

2017-06-25 às 06h00

Abílio Vilaça

A paz é essencial ao desenvolvimento do turismo. É um setor que necessita de segurança e de estabilidade económica e social para poder progredir. A cultura fomenta o turismo, e os turistas procuram conhecer culturas diferentes. O conhecimento de outras culturas e o interesse do homem pelo desconhecido fomentam uma oferta diferente, mais rica e que torna mais ricos os que dela beneficiam.
O encontro com o desconhecido desperta curiosidade e abre a inteligência a uma nova atitude de entendimento dos outros e das diferenças que possuem. Essa capacidade de compreender a diferença e de a saber respeitar é essencial no ambiente e cultura turística.

O professor Guimarães Rocha (1986) concretiza a definição de que o “Etnocentrismo é uma visão de mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência.” Essa visão é pobre na atualidade, pois a perspetiva etnocêntrica tem afinal fomentado que nos dias de hoje ainda persistam ideais fomentados numa visão egocêntrica do mundo.

A etnicidade corresponde naturalmente a uma saudável definição no que concerne aos objetivos do turismo, já que, nos abre uma perspetiva antropológica de grupo estruturado com uma língua e uma cultura comum, que dá identidade singular aos diferentes países e povos que aí vivem. É, pois, essa singularidade que o turismo procura promover, nomeadamente no turismo cultural.

Nesta dupla necessidade de equilíbrio social, importa olhar o turismo e a etnicidade como elementos vitais na evolução da espécie humana, da democracia e da liberdade. Só as regiões e países que compreendam essa ligação terão sucesso no desenvolvimento do turismo. O respeito pela multiculturalidade é essencial no desenvolvimento do turismo. É mais um desafio para os líderes nacionais aos diferentes níveis, o de fomentar uma sociedade capaz de compreender o multicul- turalismo e de o respeitar.

Relembra-se que os membros da Organização Mundial do Turismo, de que Portugal, e bem, sempre fez parte, já na Assembleia Geral de 1 de outubro de 1999, em Santiago do Chile reafirmou os objetivos do artigo 3º dos Estatutos da OMT. Nesse importante documento, reconhece-se que a OMT, tem tido um papel “decisivo e central” na promoção e desenvolvimento do turismo, visando contribuir para a expansão económica, compreensão internacional, paz, e prosperidade, bem como para o respeito universal e observância dos direitos do homem e liberdades fundamentais, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião.

É neste contexto que se assume a partir de então o Código Mundial de Ética do Turismo, que ajuda a compreender a verdadeira dimensão do setor e, como nos poderemos melhor posicionar ao nível nacional, regional e local para usufruir das vantagens que o turismo proporciona.
O Código Mundial de Ética no Turismo vem reafirmar o direito ao turismo e à liberdade das deslocações turísticas e promove uma ordem turística mundial, equitativa, responsável e sustentável, em benefício partilhado de todos os sectores da sociedade, num contexto de uma economia internacional aberta e liberalizada.

A promoção e divulgação dos valores, princípios e articulado do Código Mundial de Ética do Turismo, deve ser um desafio para todos os que têm responsabilidades políticas e académicas aos diferentes níveis, para podermos contribuir para uma melhor sociedade no presente e no futuro.

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