Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Estrutura Padrão das Atividades Escutistas

Cidadania de circunstância

Escreve quem sabe

2019-01-11 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

“Se quer ir rápido, vá sozinho.
Se quer ir longe, vá em grupo.”
Provérbio africano


No escutismo há uma metodologia de trabalho comum a todas as Secções, que, genericamente, identificamos como a “pedagogia de projeto”, que em cada Unidade assume caraterísticas apropriadas à faixa etária correspondente, mantendo sempre a estrutura padrão subjacente à metodologia.
Assim, na I Secção ou Alcateia, cujos membros se designam por “Lobitos”, crianças dos 6 aos 10 anos, vivendo o imaginário do “Livro da Selva”, de Rudyard Kipling, estes projetos designam-se “caçadas”. Já na II Secção ou Expedição, composta por “Exploradores”, pré-adolescentes dos 10 aos 14 anos, vivendo o imaginário do “Explorador” (aquele que descobre), estes projetos assumem a designação de “Aventuras”. Na III Secção ou Comunidade, formada por “Pioneiros”, adolescentes dos 14 aos 18 anos, que vivem o imaginário do “Pioneiro” (aquele que constrói), estes projetos são chamados “Empreendimentos”. Finalmente, na IV Secção ou Clã, constituído por “Caminheiros”, jovens-adultos dos 18 aos 22 anos, que, sem imaginário formal, procuram viver a pedagogia do Caminho, aqui, estes projetos assumem a designação de “Caminhadas”.
Estes “projetos” ou “atividades”, para além de metas específicas de cada uma delas, todas elas têm subjacente as seguintes finalidades:
• Promover a (auto)educação pela ação, reflexão/ação/reflexão;
• Promover a interação educativa entre os membros da Secção;
• Promover praticas de vivências da tomada de decisão com base nos princípios da convivência democrática;
• Promover a cogestão de tarefas e responsabilidades;
• Promover a progressão harmoniosa, de cada um e da Seção, na relação consigo mesmo, com os outros, com as coisas, com a natureza e com Deus;
• Promover uma vivência comunitária da fé;
• Promover o desenvolvimento da clarificação da vocação individual.
Proporcionando, à criança e ao jovem, uma passagem, uma mutação da conceção, realização e avaliação de projetos, pessoais ou comunitários, de forma a estar minimamente preparado para a vida, própria da sua faixa etária, tendo sempre presente que é um ser social, preparado e disponível para a vida em grupo, sem deixar de ser quem é.
A estrutura padrão de qualquer uma destas atividades tem sempre quatro fases, onde todos são chamados a intervir, com criatividade, liberdade, verdade, responsabilidade e respeito por si mesmo e pelos outros:
• 1ª fase: Idealização e Escolha – é o tempo de motivar e ser motivado para a conceção de um projeto, para a sua apresentação aos outros membros da Secção e para, finalmente, se fazer a escolha do melhor projeto;
• 2ª fase: Preparação – são os momentos de “montar” o projeto, começando pele enriquecimento do projeto escolhido, sobretudo recorrendo aos contributos dos outros projetos, seguindo-se a organização das equipas e das ações, terminando esta fase com o planeamento de todas suas componentes, construindo respostas às velhas perguntas: o que fazer? Como fazer? Quem faz o quê? Quando se faz? Onde se faz? E, para que se faz?;
• 3ª fase: Realização – é a altura soltar as amarras, dar largas à alegria do fazer, do concretizar o planeado, de viver o produto do trabalho de todos e de cada um;
• 4ª fase: Avaliação – é o tempo de olhar para trás de comparar as expetativas e as vivências, isto é, fazer a avaliação do que foi vivido desde a primeira fase, de colher os ensinamentos para que o “erro” também nos ajude a crescer e, finalmente, é o tempo de festejar e celebrar os progressos alcançados.
Os projetos devem ter geometria variável quanto à duração, à dimensão, sobrepondo-se alguns, mas, no final, estes devem ter contribuído para o crescimento de todos no plano do saber, do saber fazer e do ser e para a felicidade de cada um por sentir que foi útil ao outro.

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