Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Estéril e inútil

Diplomas em tempo de 130.º aniversário

Ideias

2015-11-01 às 06h00

José Manuel Cruz

Costa não tinha um papel assinado com Martins e Sousa, ou, para quem estranhar a fulanização, com o Bloco de Esquerda e o PCP-CDU. Eu sei que é um processo de intenções, mas, ainda que a troika virtuosa irrompesse por Belém com folhinha azul de 25 linhas atestada por notário, Cavaco faria de conta, em nome da boa ordem institucional: não tinham os siameses Coelho e Portas batido a concorrência?

Haja papel, com clausulado de fazer corar acordo pré-nupcial entre cônjuge de abastanças e consorte pé-rapado: valerá de quê? Dirão: - Ah! Mas quem roer a corda ficará mal-visto. E tal só daria razões ao avisado Cavaco e aos cultores do unanimismo bem-pensante. Mas a que feras foi lançado Portas na sequência da fitinha irrevogável? Não são Portas e o CDS-PP um dos pilares da bela democracia parlamentar portuguesa, independentemente do slalom vertiginoso a que se prestaram? Haverá prerrogativas relativamente a estados de alma - ondulações à direita: sim senhor, quantas queiram; mudanças de humor à esquerda - ai não, que tal não é permitido! Ao fim e ao cabo, é assimétrica, a democracia? A ser, valerá mais do que as minúsculas?

Era preciso um bloco central! Apenas um bloco central poderia manter o país na senda da recuperação, fazê-lo chegar ao pelotão da frente - é cavaquice, não é? - à primeira dezena, entre os mais competitivos da europa - fraseado passista (?) coelhista (?)... É estúpido como curto-circuito, mas passa-me pela ideia um dos slogans emblemáticos de outras paragens: “o comunismo é o poder soviético mais a electrificação integral do país!” Dalida e Delon cantavam: parole, parole, parole...

Seguindo a sugestão francesa, já que por cá arranjo como pagar as contas. Não tem a França outra coisa que um bloco central, vai de há trinta e tal anos a esta parte. É tácito, o tal bloco, entre os franceses. Não se deram a cuidados de pacto formal de regime, mas entre o partido de Hollande - socialista - e o partido de Sarkozy - que tem mudado de nome, conservando as mesmas fieis moscas - outra coisa não tem havido senão uma alternativa na continuidade, protelando-se as mesmas políticas, os mesmos defeitos, as mesmas prebendas, os mesmos beneficiários. Resultado? O que está à vista!

Por cá encontrei como desenrascar a vida, à conta de virar a língua de cinco maneiras diferentes, mas contabilizam eles tantos desempregados quantos Portugal tem como população activa. A crise social está na ordem do dia, não há alma inútil da esquerda (?) governamental que não agonie com a hipótese de Marine Le Pen (pouco menos que fascista, segundo a vulgata bem-pensante do “arco do poder”) levar de palmatória qualquer candidato que se apresente contra ela nas presidenciais de 2017.

E rasgam vestes, e arrancam cabelos, e urram em nome da República; e vocifera-se que a Frente Nacional - o tal hediondo partido de extrema-direita - não é republicano, que é avesso ao luminoso ideário do melhor e mais progressista dos pensamentos políticos europeus... E choram-se lágrimas amargas porque o povo, os trabalhadores - e pasme-se, até gentes de esquerda - se passam de armas e bagagens para o partido da direita selvagem... E aqui-del-rei que o povo está enganado... Fosse esse o caso: não teria a FN o mesmíssimo direito de aldrabar? É que se o povo não for à bola com Hollandes e Sarkozys, que outros da mesma igualha, o povo lá sabe as que lhes têm sido pregadas.

Passando ao que nos faz doer a alma: era preciso um pacto, e que os socialistas ganhassem juízo, para que Portugal pudesse ser bem governado! Mas então: o país tem sido mal governado por quem? Será defeito meu, mas escapa-me por inteiro a lógica da boa governação ao centro. Tivesse ela provas dadas...

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