Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Este texto não fala da praxe

Como sonhar um negócio

Ideias Políticas

2014-02-04 às 06h00

Carlos Almeida

Não é sobre praxe, mas um pouco sobre tudo. Sobre isso já falei, e outros também o fizeram, no passado, quando o ruído era menor, se é que me entendem. Agora, que falem os que não querem falar de outras coisas (eu sei que não preciso de pedir).

Sim, esses mesmos senhores que nos entram pela casa sem que os convidemos, e ainda por cima têm sempre opinião sobre tudo o que não interessa. Esses que não perdem pitada quando o assunto é superficial, da cerimónia fúnebre do Eusébio à condecoração do “comandante” Ronaldo com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, e que apenas desviam o olhar para se deliciarem com a prestação do deputado Hugo Soares no programa do simpático Manuel Luís Goucha.

Por que não falam de outras coisas? Não haverá assuntos de interesse público?
Por que não falam, por exemplo, do tremendo esbulho de que foram vítima, há poucos dias, todos os trabalhadores da administração pública? Falemos então desse roubo nos seus salários, cometido pelos profissionais do gamanço que se instalaram no poder em Portugal. Quão afortunados são os funcionários públicos?! No último mês, lá se foi mais uma fatia do já fustigado salário. Em compensação, “ganharam” mais umas horas de trabalho.

Podiam falar também do tempo de espera nas urgências hospitalares, ou então das famílias, que, por não terem dinheiro para pagar as taxas moderadoras (eufemisticamente falando), estão privadas do acesso a cuidados de saúde. Por que não o fazem?

Outro assunto deveras interessante seria o desemprego e as suas consequências. Por que não falam, então, do real número de desempregados no país? Por que não explicam que a sua redução percentual nada tem que ver com a criação efectiva de emprego, mas antes, isso sim, está directamente associada à crescente emigração? Será que é suposto não falarem destas coisas?

Alguém ouviu, porventura, algum desses senhores falar da acção deliberada deste governo de ocultar benefícios fiscais no valor de 1045 milhões de euros dados às chamadas Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS)?

Podiam, bem-falantes que são, desvendar o segredo do chamado Programa Cautelar e esclarecer o país sobre o seu conteúdo. Podiam explicar que o que pretende o governo, em estreita articulação com os representantes da alta finança e dos grandes grupos económicos, é perpetuar a austeridade, é fazer definitivos os cortes ditos temporários, é, em suma, na ausência da Troika, mas com a sua bênção, prosseguir com as políticas de exploração e empobrecimento do povo.

Nada disto aparece na conversa desses senhores.
É pois óbvio o seu compromisso com uma desavergonhada campanha de propaganda do governo, suportada pelos meios de comunicação detidos pelos mesmos grupos a quem serve a política deste governo.
No entanto, não lhes tiro o mérito de terem sempre a lição bem estudada, principalmente aquela que lhes ensinou a nunca morder a mão de quem lhes dá de comer.

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