Correio do Minho

Braga, sábado

Este Natal será diferente!

Investir em obrigações: o que devo saber?

Voz às Escolas

2017-12-04 às 06h00

Maria da Graça Moura

2017 ficará, para sempre, registado nos nossos corações como o pior ano de que temos memória. De acidentes provocados pelo homem a desgraças naturais, fica uma cronologia das maiores catástrofes que assolaram o território português nos últimos 75 anos.
Os incêndios de junho e outubro que devastaram o norte e centro do País, arrasaram a alma de quem viveu cada momento, cada notícia, cada perda. A violência das chamas deixou na nossa mente imagens brutais de destruição, medo e terror, à semelhança de um inferno. Imagens de um monstro devorador que engoliu de forma sôfrega, traiçoeira, violenta e ruidosa tudo o que encontrou no caminho. Não escolheu as vítimas: ceifou homens, mulheres e crianças.

Muitos morreram para salvar os animais. Mães que perderam filhos, mulheres que ficaram viúvas, homens sem companheiras. Não houve registo de muitas crianças porque naqueles lugares do fim do mundo não há muitas crianças! Só idosos já sem forças e meio ressequidos como as cepas das vinhas que o fogo queimou. Os homens e mulheres que ficaram, continuam presos a um fogo que não se apaga das suas memórias, porque não calcinou apenas as casas, os carros, as alfaias, os rebanhos, os campos e florestas, destruiu-lhes principalmente a confiança, a esperança e o orgulho de pertença.

O país, perante tamanha desgraça, ficou chocado e impotente sem saber como resolver um problema de tão grandes proporções e consequências, ainda imprevisíveis, para a vida pessoal, social e económica de tanta gente.
Na boca de todo o mundo ecoa um sentimento de apreço e gratidão por todos os que se empenharam no combate aos incêndios, nomeadamente os “soldados da paz” que, sem descanso, enfrentaram os “monstros” como o exército de deuses enfrenta o inferno.

Mesmo para quem não sofreu diretamente na pele os efeitos destas catástrofes, não ficou indiferente a tudo o que aconteceu e a energia positiva do amor, alegria, paz, solidariedade, plenitude, realizações e oportunidades que, nos anos anteriores, envolve o mês de dezembro, causa este ano uma mescla de sentimentos de frustração, dúvidas, impotência, inquietude, tristeza, dor e angústia.

Mas esta grande tragédia mostrou-nos que da maior dor pode surgir a maior força. Agora, é preciso coragem para empurrar para a frente a terra queimada e honrar os que pereceram, os que ficaram feridos, desfigurados, abandonados no seu silêncio e na sua dor.
Apesar de dezembro ser o mês das festas, das celebrações, de reunir toda a família à volta de uma farta mesa, de reencontrar amigos, de organizar presentes e decorar a casa, este ano, muitas famílias em muitas cidades, vilas e aldeias não terão nas suas casas a magia habitual das luzinhas brilhantes onde o vermelho e o dourado costumam trazer aconchego ao coração.

Este Natal será diferente para todos os portugueses, mas principalmente para as famílias que, num instante, viram esfumar-se com as chamas as suas terras, trabalho, casa, projetos e ilusões de toda uma vida, que não deixarão ninguém indiferente.
Em tempo de escuridão, a luz de uma vela é um sol que ilumina a noite fria. Natal é nascer para uma nova vida, começar do nada um novo caminho!...

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