Correio do Minho

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Este ano a troika vai embora!

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2014-01-06 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

O ano que agora começa será marcado, creio, pela saída da “troika” de Portugal, depois de cerca de três anos de controlo total das nossas vidas.
Não será difícil prever que alguns agentes políticos, e até económicos, passarão a primeira metade de 2014 a perspectivar a saída da troika, passando a segunda metade deste ano a vangloriar-se com a sua saída!
Essa ilusão, que tentarão incutir aos portugueses, deixará para trás uma realidade de que não é fácil encontrar paralelo na nossa história mais recente.
A troika irá embora, mas deixará um país à beira de um estado de psicose nervosa colectiva e quase loucura individual.

Se analisarmos aquilo que nos aconteceu, enquanto a troika governou o nosso país, verificamos que os resultados são absolutamente dramáticos e impensáveis ao cidadão comum.
A troika irá embora, mas deixa, segundo Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, centenas de milhares de portugueses no limiar da pobreza, estimando-se que sejam 10% os que no nosso país não comem, pelo menos, um dia por semana. Verifica-se ainda que muitas crianças em Portugal só comem uma vez por dia, tendo muitas delas como única refeição aquela que encontram na escola!

A troika irá embora este ano, mas deixará o país com um sistema de saúde mais pobre e deficiente, de tal forma que até a Organização Mundial de Saúde pondera intervir em Portugal, por estar tão preocupada com o retrocesso nos cuidados de saúde primários.
Há dias ficamos a saber que em alguns hospitais os doentes esperam várias horas, numa urgência, para serem atendidos! Ficamos a saber, também, que um doente, em coma, teve que passar por cinco hospitais e percorrer 260 quilómetros, até ser atendido no hospital da sua área de residência! A troika vai embora mas deixa um país doente!

A troika irá embora este ano, mas deixa atrás de si um país pobre e mais abandonado. Só nos últimos dois anos deixaram o nosso país quase 250 mil portugueses, número que nem o Secretário de Estado das Comunidades consegue precisar! Muitos destes portugueses encontram-se noutros países a receberem ordenados miseráveis, funcionando como mão-de-obra qualificada e, ao mesmo, tempo, escrava. Basta recordar que o governo belga referiu que existem portugueses, nesse país, a ganhar 346 euros por mês, trabalhando oito horas por dia!

Em plena segunda década do séc. XXI, poucos imaginariam que os portugueses abandonassem em massa a sua pátria. Mas estes emigrantes não têm alternativa: saíram do país para conseguirem arranjar dinheiro para pagar as suas dívidas e, em muitos casos, ajudarem a manter a família que deixaram em Portugal.
O nosso país continua a ser um dos países com mais desigualdades do mundo! A percentagem de ricos aumentou, em Portugal, neste último ano. Mais grave ainda é verificarmos que as áreas da saúde e da educação, tradicionalmente responsáveis pelo atenuar destas diferenças entre ricos e pobres, continuam a receber cada vez menos dinheiro, contribuindo ainda mais para o acentuar das diferenças entre os mais ricos e os mais pobres!

Como reflexo directo da crise que afecta o nosso país, os nascimentos em 2013 foram 9% inferiores aos de 2012, tendo-se verificado apenas 82 mil nascimentos em Portugal! O país está a envelhecer, mas pouco interessa, porque a troika irá deixar o nosso país daqui a meio ano!
Alguém imaginaria que, no tempo em que vivemos, alguns jovens, desesperados, fossem aos lares de idosos buscar os seus familiares e trazerem-nos para casa, para dessa forma ficarem com as suas reformas! Por outro lado, verificamos que são cada vez mais os idosos a viverem sozinhos em casa. A Operação Censos Sénior refere que existiam, nos primeiros dois meses de 2013, em Portugal, 28.197 idosos a viverem sozinhos ou em situação de isolamento (um aumento de 22,6% em relação a 2012). Estes idosos vivem sozinhos porque não têm condições económicas para frequentarem um lar. Que interessa se uma pessoa trabalhou uma vida inteira e, nos últimos anos da sua vida, não tem dinheiro? Afinal a troika vai embora este ano!

Nos últimos dois anos estima-se que foram entregues, por dia, 15 imóveis aos bancos. Estes imóveis, lares de pessoas, foram entregues aos bancos, porque os seus proprietários não tinham condições para os pagar. De qualquer forma, há uma boa notícia: a troika vai embora este ano!
Nos últimos dois anos fecharam, em média, 25 empresas por dia, deixando centenas de milhares de portugueses no desemprego! Em finais de 2013 existiam, no nosso país, cerca de 830 mil desempregados e desses, 108 mil são altamente qualificados, com licenciaturas, mestrados ou doutoramentos! Mas estes desempregados irão receber uma boa notícia, porque em meados de 2014 a troika irá embora do nosso país!

Em 2012 e 2013 o Governo foi buscar aos rendimentos dos portugueses, cerca de 7900 milhões de euros. Esta perda de rendimentos é de cerca de 800 euros por cada português, por ano. Ainda nestes dois últimos anos, aumentou o horário de trabalho para as 40 horas semanais; reduziram-se os feriados e as férias dos portugueses! Mas estes trabalhadores portugueses devem sentir-se felizes, porque melhores dias virão anda este ano, uma vez que a troika vai embora do nosso país!

Os elogios da troika à política económica nacional são, para Pedro Santos Guerreiro, um insulto a Portugal, porque onde a troika vê a taxa de juro baixar, os portugueses só vêem a pobreza e o desemprego crescer. Mas isto pouco interessa, uma vez que a troika, que governou Portugal nos últimos dois anos, vai embora daqui a seis meses! E, se consultarem o “relógio de Paulo Portas” sabê-lo-ão com precisão…

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