Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Estará Braga assombrada?

A fortuna perdida

Escreve quem sabe

2017-10-17 às 06h00

Margarida Pereira

Em primeiro lugar, endereçamos os nossos agradecimentos ao Bombeiros que estiveram no combate aos incêndios, sobretudo aqueles que deflagraram no passado dia 15 e que, com esforço, evitaram que a desgraça se abatesse sobre a cidade.

Com o aproximar do dia das bruxas, um dia tipicamente americano, acreditamos que deveríamos refletir sobre as “assombrações” que pairam sobre a nossa cidade de Braga.
Com mais de dois mil anos de história, a cidade foi crescendo desenfreadamente, encontrando-se verdadeiramente amaldiçoada pelo granito e pelo cimento. Desde o século XX que a política da cidade parece ser favorável a transformar espaços verdes em urbanizações de betão que cresceram sem qualquer controlo, ou rigor.

É certo que o crescimento da cidade abrandou muito, também devido à crise que se fez sentir na construção civil, mas é também certo que pouco se faz para a criação de espaços verdes, espaços frescos onde se possa descansar. Hoje em dia, quase todas as cidades vizinhas como Famalicão, Guimarães, Ponte de Lima e até Chaves, têm um parque da cidade ou um jardim público de grandes dimensões. E Braga?

O que faz a política da cidade para combater esta “assombração” que pinta a cidade em tons de cinzento?
O Parque Verde das Sete Fontes voltou a ser bandeira de campanhas eleitorais, será que nestes quatro anos teremos, finalmente, o tão sonhado parque?

Aquele Parque da Cidade de Braga que já está projetado, mas que teima em não sair do papel?
Esperamos que os agentes políticos da cidade se foquem em valorizar este Monumento Nacional, bem como toda a sua envolvente e, em simultâneo, combater este que é um dos maiores e mais antigos “fantasmas” da cidade, mas que, infelizmente não é o único.
Também a Casa das Convertidas parece ter sido assombrada pelo esquecimento. Os anos passam e aquela casa que preenche a esquina da Rua de S. Gonçalo com a Avenida Central não vê forma de abrir as suas portas.

Esforça-se por sobreviver ao longo dos anos, mas aquela que já foi uma casa cheia de vida é agora um espaço fechado de memórias.
O Recolhimento das Convertidas merece ser valorizado pelo Imóvel de Interesse Público que é, e não basta arranjar o telhado ou pintar a fachada. É importante combater a deterioração do edifício, mas tendo sempre em vista o objetivo final de abrir as suas portas e não de adiar a solução para este edifício. Para nós, esta poderia ser uma excelente casa da cultura, pois se Braga ambiciona ser Capital Europeia da Cultura em 2027 é importante começar por valorizar e reconhecer a importância de muitos edifícios históricos da cidade.

A Fábrica Confiança é outro edifício com grande valor histórico na cidade, que merece ser reconhecido. Braga teve, em tempos, uma vida industrial muito ativa que foi literalmente desaparecendo ao longo dos tempos.
Sobrevivendo até aos dias de hoje, apenas o edifício da Saboaria e Perfumaria Confiança. Muito se tem falado acerca do futuro deste local, mas haverá futuro para o último “pedaço” de história industrial vivo na cidade?

Recentemente, o edil da cidade falou publicamente sobre a alienação da fábrica, o mesmo que fez questão de abrir as portas do edifício em 2014, no âmbito da comemoração dos 120.º aniversário da fábrica. Será que em três anos a Confiança perdeu o valor cultural que lhe foi reconhecido?
Para a JovemCoop está na hora de limpar as teias da cidade, de livrar Braga destas “assombrações”, afinal quando questionados sobre doçura ou travessura, todos escolhemos as doçuras.
Aproveitamos ainda para o convidar, a celebrar o dia 31 de Outubro, com a JovemCoop e a Braga+, na quarta edição da Braga Assombrada, desta vez no Palácio do Raio.

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