Correio do Minho

Braga, sábado

Escutismo e voluntariado

Mais uma vez, um novo ano escolar

Escreve quem sabe

2013-12-06 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

A Resolução das Nações Unidas 40/212, de 17 de Dezembro de 1985, convida os Governos a celebrar todos os anos, no dia 5 de Dezembro, o Dia Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Económico e Social dos Povos.

Assim, desde essa data, governos e sociedade civil têm vindo a celebrar este dia com o objectivo de sensibilizar e dar visibilidade aos voluntários e às práticas de voluntariado.
Embora o Escutismo seja muito anterior a esta resolução ele contribuiu para o estabelecimento do conceito. Desde sempre, mas sobretudo desde a aprovação do atual texto da Constituição da Organização Mundial do Movimento Escutista, fixado pela 26ª Conferência Mundial do Escutismo, reunida em Montreal, no Canadá, em 1977: “O Escutismo é um movimento educativo para os jovens, fundado sobre a ação voluntária”. O facto do Escutismo ser fundado sobre o voluntariado permite pôr em relevo que a adesão é livremente aceite pelos seus membros, pois estes acolhem os princípios fundamentais do movimento. Este facto aplica-se, tanto aos jovens como aos adultos, é através da “Promessa” e da “Lei” que o jovem toma, de sua livre vontade, um compromisso pessoal com um código de comportamento e aceita, na presença dos seus companheiros a responsabilidade de ser fiel à palavra dada. A identificação permanente com estes valores éticos, tal como o esforço de viver segundo estes ideais, no melhor das suas possibilidades - “fazer todo o possível por” - constitui, por consequência, um instrumento poderoso no desenvolvimento dos jovens, porque é livre e voluntário.

O serviço voluntário no escutismo está muito para além do “empacotamento” que a lei do voluntariado pretende fazer deste ato de generosidade pessoal e social, de dar e dar-se aos outros, pois aqui há uma adesão que parte do interior de cada um, assente no princípio da liberdade e da participação, sem esperar qualquer recompensa estando enfocada pelo princípio da gratuitidade que promove o empenhamento total de cada um no sentido de contribuir para a felicidade dos outros.
O voluntário, em geral e no escutismo em especial, é um agente promotor de mudanças, é um cidadão solidariamente ativo e fortemente empenhado, com o seu exemplo, na construção de um mundo melhor, marcado pelos valores da justiça e da paz. A força que coloca na sua ação é uma força interior capaz de mudar o mundo e de dar um novo sentido à vida. Por isso é que o voluntariado é considerada uma força transformadora da sociedade, tornando-se um sinal de esperança para o nosso tempo.
Não deixa de ser curioso que, no final da semana passada, os portugueses assistiram a um dos maiores eventos do voluntariado quando, sob a coordenação do Banco Alimentar Contra a Fome, milhares de voluntários, de todas as idades, com a sua dedicação e sentido de solidariedade, permitiram que a população portuguesa tivesse, uma vez mais, esse ato de amor para com os mais desfavorecidos, doando 2.767 toneladas de géneros alimentares, recolhidas num universo de 1.895 superfícies comerciais, distribuídas por todo o país. Foi uma demonstração clara da importância e da força do voluntariado que deu razão de ser ao ditado popular imortalizado no poema de Ary dos Santos - Quando um homem quiser:
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser

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