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Escrever e falar bem Português

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Escrever e falar bem Português

Escreve quem sabe

2019-09-08 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

Com o regresso desta rubrica, espero trazer para discussão novos temas da língua portuguesa, de forma a ajudar a escrever e a falar melhor.
Foquemo-nos, hoje, na pronúncia de algumas palavras habitualmente mal proferidas.
A palavra “rubrica”, que muitos pronunciam *[rúbrica], deve ser dizer-se [rubríca]. Seja para o texto seja para a assinatura breve.

Comummente, ouve-se pronunciar *[logotípo], quando a forma correta é [logótipo], quer na oralidade quer na escrita, na variedade europeia. No Brasil, é mais usual dizer [logotípo], escrevendo “logotipo”.
Também ouvimos a palavra “biopsia” pronunciada como [biópsia] e nem questionamos que assim não deva ser. De facto, esta pronúncia já se fixou entre nós e, se nos atrevermos a dizer [biopsía], talvez nos olhem de soslaio e nos considerem ignorantes ou pedantes. Alguns linguistas, menos puristas, defendem que podemos pronunciá-la como esdrúxula [biópsia], tendo por base o critério do uso, mas ressalvo que nunca a devemos escrever com acento gráfico.

Do latim “superflüu”, chegou até nós a palavra “supérfluo”, muitas vezes maltratada e pronunciada erradamente como *[supérfulo].
Quem nunca se apercebeu, também, da pronúncia (e grafia) errada de “precariedade”? Nos debates parlamentares e nos telejornais, vemos pessoas a debaterem-se com a palavra, proferindo, não raras vezes” *[precaridade], que não existe. Para ajudar, pensem na palavra “impropriedade” que deriva do adjetivo “impróprio”, tal como “precariedade” deriva de “precário”. Esta dificuldade estende-se, por vezes, a palavras como “arbitrariedade”,  “notoriedade” e  “obrigatoriedade”, entre outras que se formam de igual maneira.

Termino por hoje, com dois nomes que são pronunciados de diferentes formas. O primeiro, muito em voga, é “Félix”, que um grande número de pessoas, pronuncia [féliquesse], mas também se ouve [félis]. Qual a forma correta? Um ex-ministro com esse nome (Bagão Félix) preferia sempre [félis].
Se consultarmos a página do Ciberdúvidas, podemos ler que “Quanto a Félix, a grafia latina aconselharia a pronúncia em /ks/, mas esta palavra também entrou no português muito cedo, ainda na fase da formação da língua, aparecendo já no século XI registada como Felici e Felice, sendo, pois, esta a pronúncia que existia e perdurou, mesmo quando se recomeçou a grafar Félix.” Podem-se, por conseguinte, usar as duas.

O outro nome é “David” (sem “e” final). De salientar, no entanto, que a Direção Geral dos Registos e Notariados inclui “Davide” e “Davi” na lista de nomes próprios autorizados.
No Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, ficamos a saber que o nome “David” deriva da palavra hebrai-ca dawid, que significa “querido” ou “amado”, através do grego Dauíd e do latim David. Há quem diga o nome “David” (com “d” e sem “e”)  como [davi]  e quem diga como [davide]. Ambas as formas são aceitáveis.

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