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Erros de casting

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Ideias

2011-01-21 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Nos últimos tempos muitos comentaristas, fazedores de opinião e mentores de uma classe política em crescente descrédito e cada vez mais desprestigiada têm vindo a qualificar como meros erros de casting certas figuras da vida pública, governamentais, políticas ou convivas no poder. Sendo inquestionável o direito à opinião, ainda que bem paga, não se descarta a oportunidade de, a título gratuito, nos debruçarmos sobre alguns manifestos erros de casting na vida dos portugueses.

E começando por Sócrates, que nem sequer se ousa considerar um mero erro de casting do eleitorado (foi bem pior, nos efeitos, ainda que hábil e inteligentemente programado!...), temos de convir que, no desenrolar de uma certa estratégia preconcebida e dita de esquerda, fez coisas (!?) que outros não conseguiram ao longo dos anos, sempre ufano e impante numa estereotipada figura de “manequim falante”, mentindo com quantos dentes tem na boca e levando o país a uma situação de caos e miséria. Operando e concretizando, note-se, o que certos ideólogos de questionável e dementado pendor dito socialista e socializante há muito vinham reclamando.

Aliás é de todo incontornável que ao fazer o casting dos seus acompanhantes e comparsas na estratégia e “obra programada” a realizar soube escolher a dedo os que mais e melhor asseguravam a concretização de congeminadas ideias num quadro de minagem, desmantelamento e destruição de apregoados e ditos incomodativos lobis e de certas estruturas e serviços, derribando o que ainda de pé, e com certa dignidade, vinha mantendo a confiança e a esperança dos portugueses, sua estrutura e consuetudinários bons costumes e moralidade.
Efectivamente, se nos debruçarmos e nos detivermos sobre os factos e as ocorrências políticas, legais e não legais, havidas ao longo dos seus mandatos, sem esquecer, como é óbvio, os mil e um processos, acusações, suspeitas, escutas e insinuações surgidas na área da política, temos de concluir que certos elementos e figuras públicas de ontem e de hoje não foram de modo algum meros erros de casting, mas antes premeditadas escolhas de todo direccionadas a concretizar o que se desejava.

Aliás, se bem pensarmos, afirmar ter sido um mero erro de casting a indicação de Pinto Monteiro para PGR é no mínimo ofender e menosprezar a inteligência e a visão de Sócrates no “estudado” processo de um derribar das dignidade, prestígio e isenção da Justiça, como aliás o não foram as escolhas de ACosta e agora do AMartins para ministros da pasta.

E se a grosseira inépcia e a falta de inteligência de alguns entretanto se perderam e se esboroaram nas imagem e consideração públicas, é de todo inquestionável o seu significativo e relevante papel num elaborado e laborioso trabalho de “minagem” e “sabotagem” da mesma justiça, aprovando-se e deixando-se passar “leis de conveniência” e de perverso “impacto sócio-político”, e tomando-se medidas bacocas, demagógicas e eleiçoeiras, algumas rotuladas de anticorporativistas e de manifesto e provocador confronto mas outras deixando entrever esconsos interesses político-partidários e todo um ideário de influência e de apetência pelo poder, mormente num quadro de funcionalização dos magistrados e de “infiltração” política.

Efectivamente, evocando-se todo um ainda recente passado, será difícil e impossível esquecer as promovidas alterações nas leis criminais, de efeitos perversos no quadro da criminalidade e segurança de um povo, sendo ainda forçoso recordar a nada insólita e interessada convergência do “Bloco Central” e o preponderante papel de um prepotente Rui Pereira na matéria, aliás uma “escolha” de extrema inteligência e eficácia. Como, diga-se, é impossível olvidar as demais medidas atinentes às reforma prisional e reinserção social, às cadeias, sua remodelação e venda, às férias judiciais, às custas, à desjurisdição de certas matérias desviando-as dos tribunais, aos novos mapas judiciários, etc. etc., de gravoso e negativo impacto na sociedade, cada vez mais descrente duma justiça que de todo “tremelica” e se “afunda” quando confrontada com mediáticos processos de incómodas criminalidades e alongados tentáculos, enrodilhadas e enoveladas em jogos de corrupção, compadrios e interesses políticos.

Aliás se o PGR pode ser responsabilizado pelo descrédito e degradação a que chegou o MP, o certo é que nunca foi uma mera Rainha da Inglaterra como quis fazer crer, pois é incontornável que as suas naturais inépcia, inabilidade e inexperiência se deixaram adormecer no “aconchego” das pessoas e figuras de que se rodeou, em que muita vaidade, manifesta inaptidão, grassa insensatez, falta de traquejo e conhecimentos deram azo a muitas tonterias e ideias bizarras.

Daí o ter-se deixado enredar e “viciar” por todo o jogo disposto num tabuleiro de damas com que se foi entretendo ao longo do tempo, desprestigiando magistrados, apoucando-os na competência, minando-lhes a isenção, instaurando-lhes inquéritos, falaciando quando devia estar calado, com o pormenor insólito e inaudito de que todos os processos com impacto-socio-político-governamental se terem esvaído ou quase em comunicados, informações e declarações no mínimo infelizes e de muito questionáveis oportunidade e independência.

Mas, reconheça-se, a sua escolha nunca foi um erro de casting de Sócrates pois sempre se mostrou hábil e presto em tentar desfraldar uma capa (!?!) de independência e isenção, ainda que também tenha sido sempre hábil e lesto nas funções dum grato e fiel avalista.
Aliás, diga-se, de igual modo não se perfilam como erros de casting no contexto da governação a Lurdes da “educação”, o Lino do “jamais”, o Campos da saúde, o Valente do TGV, o Pinho dos “corninhos”, o Santos dos “lapsos orçamentais” e muitos outros, como os senhores Silvas.

Se um, o Pereira, se vem revelando como a “muleta” do governo e o “pinoquiante-mor” do reino, sempre lesto e pronto a embrulhar em papel de celofane e a pôr fitinhas nos temas mais controversos da governação, o outro, o Santos, pela-se por poder “malhar na direita”, quiçá “reflexo”da sua formação num certo colégio onde, dizem, teria sido colega do Rio. Sim, o das corridas de carros no Porto e senhor de uma apavoneada imagem de rigor e independência, que terá sido mesmo um erro de casting dos eleitores portuenses!...

Mas continuando a falar-se de erros de casting, após toda uma campanha insólita, mesmo ignóbil, irreal, pobre em ideias, princípios programáticos, competência e conhecimentos e de todo desprovida de dignidade, oca e desbocada em que vingaram fantasias, ataques pessoais, insultos, contradições, mentiras, momices e outros espectáculos circenses e de prestidigitação, vemo-nos confrontados agora com uma escolha difícil.

E face ao restrito número de candidatos, muito minorca no seu “quantum” e denotando limitações e sérias dúvidas quanto a qualidades e virtudes, competência, preparação, aptidão, conhecimentos, seriedade, ombridade, honestidade, moralidade e carácter, só nos resta desejar e esperar que não se venha a cair também num qualquer erro de casting.
Para bem de Portugal e das suas gentes!

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