Correio do Minho

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Entrevistas

Prevenir a demência de Alzheimer – o que está ao nosso alcance?

Ideias

2011-04-15 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Têm-se vindo a multiplicar as entrevistas a personalidades públicas e a outras pessoas com pretensões, o que vem revelando a triste realidade dum país em que o arrangismo, a conivência, a troca de favores, o oportunismo, os jogos de conveniência, as combinações e mesmo os “pedidos” se entrelaçam num muito encapotado e duvidoso casualismo circunstancial e de momento. Entrevistas a que muitas vezes subjazem um ridículo “lavar de alma” e uma ficcionada “abertura de coração”, por regra não de todo inesperadas e sempre bem programadas e congeminadas.

Nas revistas cor de rosa, então, são usuais e frequentes os espaços de intimidade (!?) “criados” e lançados através da controlada “abertura” de pretensas privacidades e de todo um anómalo publicitar das “novidades” (!?) que se desejam conhecidas. E daí, e muito convenientemente, todo um enxamear de entrevistas a pedido, combinadas e desenvolvidas a preceito, aqui para um lançamento, uma “entrada” na sociedade, uma projecção de uma ideia, ali para minimizar os efeitos perversos de incómodos silêncios, acolá para transmitir uma mensagem ou dar um recado e mais além ainda para um retocar de imagem, fazer vingar intenções ou lançar toda uma propaganda. Entrevistas que muito naturalmente aparecem recheadas de fotografias, de poses estudadas e de imagens combinadas e controladas que tão só mostram o que se deseja exibir.

Configurando-se tudo isto já como uma recorrente, generalizada e incontornável realidade de vida, ainda que pouco honesta porque avassaladora e intoxicante, há no entanto a referir que vêm sendo já asfixiantes as muitas entrevistas “encomendadas” pelos homens do poder, políticos e afins para projectar ou retocar a sua pessoa e “lavar” ou “limpar” a imagem de figura pública, umas vezes usando-as para propagandear ideias, adiantar projectos e preparar “terreno” para medidas questionáveis, contestáveis e de difícultosa aceitação, outras lançando-as para “corrigir” o desconforto e o perverso de palavras e atitudes que imprudente ou aleatoriamente se assumiram, diga-se. À saída de uma reunião, um encontro, uma visita ou num intervalo de actos e vivências públicas tão somente por não se ter sabido contornar o inesperado e insólito de uma pergunta ou a impertinência e agressividade da comunicação social, acabando-se por dizer o que não se queria quando era suposto haver silêncio e tento na língua.

Aliás se compreendemos o crescente número de entrevistados, a verdade é que já nos perturbam e chocam alguns entrevistadores que, afirmando-se “jornalistas” e possuidores de carteira profissional, com demasiado à vontade e insólita habitualidade se vêm mostrando sempre disponíveis para tais entrevistas, por norma em programas, locais e ambientes escolhidos a preceito, “casando-os” com os desejos e interesses dos entrevistados, que, diga-se, tão só respondem às perguntas previamente concertadas e combinadas. Algumas sugeridas até pelos entrevistados a quem o entrevistador, por regra um “velho” compincha, prosélito ou consabido “amigo do peito”, não tem pejo algum em vergar a cerviz, evitando com certo “cavalheirismo” as perguntas inoportunas ou incómodas e “ignorando” as respostas menos convenientes ou convincentes que pediam, em sequência, desenvolvimento, esclarecimento ou mesmo uma nova pergunta.

Na verdade os tempos que já levamos desta democracia “de excelência”deixa-nos convicto de que se vem vivendo num intenso e descabelado mundo de palavras, comentários e dislates em que se sucedem e vingam as habituais análises de pretensos “experts” da política, inteligência e saber, tudo equacionado em parâmetros de projecção, intervenção, lançamento e procura dos media, não obstante todos o relativismo e interesses em conflito.

Aliás são muitas as entrevistas a deixar entrever esconsos jogos de oportunismo, interesses e conveniência e questionáveis processos de intenção, ocorrendo-nos de momento, como exemplo, a entrevista a uma ministra num diário de referência logo após o público ataque sofrido no parlamento e em ordem a mitigar o desassossego criado e a refazer a imagem infeliz e chocante duma figura chorosa, ridícula e amesquinhada pela discussão. Como também a insólita e oportuna entrevista ao Silvino aquando da chegada do processo à Relação, e pelo co-autor de um livro atinente a um dos arguidos em causa, que agora se “inocenta”. Mas, reconheça-se, são na realidade inumeráveis as entrevistas bolçadas em oportunismo saloio e gratuito quando está em discussão, disputa ou em crise a acção desta ou daquela figura pública, deste ou daquele membro do governo ou mesmo a decisão dum tribunal.

Entrevistas aliás dum ridículo atroz, com os entrevistados intencionalmente a deixar “escapar” um ou outro aspecto mais pessoal e humano, o mais conveniente, “comovente” e reflexivo, aliás apresentado como simples e ocasional eco de toda uma humana natureza e privacidade, mas com todo um desejado e generoso impacto público.

Caindo bem entre amigos, confrades e até opositores, ainda que por norma lhe subjazam esconsos interesses e não menos esconsos fins, e não tão encapotados como se pretendia.

Aliás se atentarmos nas entrevistas dos “nossos” políticos, em todas se vilumbra um inconfundível processo de intenções sinalizado na latente ou encapotada mensagem e no significado dos recados, propaganda e imagens que se desejam transmitir, por norma na sequência de prévios acordos e combinações.

Com os “entrevistadores” a dar a conhecer antecipadamente aos entrevistados, e a seu pedido, o substrato e o próprio teor das perguntas a concretizar, assim propiciando um saneamento e a preparação e estudo das respostas.

O que, note-se, não deixa de acontecer também em programas da TV, não obstante as “encapotadas” agressividade e impertinência que por vezes se pretende transmitir, mas tão só para “inglês” ver e enganar os “lorpas”. Até porque, admita-se, quando não se gosta das perguntas ou de certas insistências nem sempre será curial e possível apanhar os gravadores e metê-los ao bolso, como fez o Ricardo Rodrigues, o famoso socialista açoreano, ou abandonar os estúdios como outros também já o fizeram.

Claro que por vezes há entrevistados que por inépcia, insensatez ou simples destempero de linguagem fazem declarações ou deixam escapar palavras que, além de perturbadoras, são de todo “impróprias” para consumo público num país que se diz em democracia.

Na verdade declarar em entrevista ao DN haver “escutas ilegais em Portugal” e “ao nível do aparelho do Estado”, que “não pode fazer nada “ e que “a república tem de arranjar leis “ para tal problema, só mesmo do actual PGR, que, reconheça-se, já não surpreende ninguém, interrogando-nos tão só se não se estará perante uma “reprise”, pois há tempos já se havia queixado de estar a ser escutado!...

No entanto tais declarações, reconheça-se, se não passam de meras, ridículas e ocasionais baboseiras sinalizando um qualquer encapotado e discutível processo de intenções podem “retratar” uma muito perigosa realidade a ter-se em atenção. O que, diga-se, nem de todo se estranharia.

A verdade é que as reacções não se fizeram esperar, sendo evidente para o comum dos cidadãos que podem estar em causa as acções concretas dos serviços de informação do Estado, ou seja o SIS (Serviço de Informações de Segurança) e o SIED (Serviços de Informações Estratégicas de Defesa), o que não deixa de ser preocupante nesta “excelsa” democracia com que todos “enchem a boca”, mas onde a liberdade nem sempre consegue conviver com o cómodo e conveniente unanimismo que se defende e se deseja.

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