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Ideias

2024-04-06 às 06h00

Vítor Oliveira Vítor Oliveira

Guimarães faz parte do Eixo Atlântico há 27 anos. Provavelmente, o nome da associação fará (mais) parte do léxico de outros municípios do que propriamente do universo vimaranense, que aderiu a esta instituição em 1997, por ocasião da 6.ª Assembleia Geral, a par de mais duas cidades, depois do ‘Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular’ ter sido oficialmente constituído em 1992.
Desde os finais da década 90, a participação de Guimarães nesta entidade transfronteiriça tem-se limitado a simples presenças regulamentares, sem especial voz, nem cargos de relevância para que possa fazer magistratura de influência, avocando uma posição de liderança e de comando da nossa região.
Como Berço da Nacionalidade e cidade pioneira na construção de um país, Guimarães tem de se afirmar e assumir-se como líder e figura de proa na defesa dos interesses do território galaico-minhoto que, hoje, representa já uma Grande Capital Europeia, com uma dimensão geográfica superior a um milhão e meio de pessoas.
O Eixo Atlântico, uma entidade composta por 42 municípios do Norte de Portugal e da Galiza, tem sido um dos veículos promotores desta euro-região. Mais do que ligar Guimarães a Braga através de linha ferroviária (ou de voltar a ligar Guimarães a Fafe, de comboio), a Cidade Berço poderia ter aproveitado a boleia do Eixo Atlântico, tal como fez a sua vizinha de Braga.
Sabemos que Xoán Vásquez Mao, Secretário-Geral do Eixo, é um fervoroso entusiasta da ferrovia e que o Eixo Atlântico foi a primeira instituição a falar publicamente da ligação Porto-Vigo e que, por esse motivo, foi a primeira a defender a ferrovia para a região! As sementes lançadas há meia dúzia de anos colhem-se agora…
Antes da Alcaldesa de Lugo, Lara Méndez, ser a primeira mulher a assumir a liderança do Eixo Atlântico, Ricardo Rio esteve quatro anos na Presidência do Eixo. Fafe entrou recentemente na última cimeira realizada em Famalicão, que empossou o minhoto Luís Nobre, Presidente da Câmara de Viana do Castelo, como líder de uma organização que promove o desenvolvimento económico, social, cultural, científico e tecnológico das cidades e das regiões que lhe pertencem.
Tal como outros municípios beneficiaram com a sua inclusão no Eixo Atlântico (Braga lucrou muito do ponto de vista cultural), está na hora de Guimarães ter voz numa das euro-regiões mais dinâmicas e com maior fluxo de pessoas e bens de toda a Península Ibérica e, comprovadamente, uma das maiores da Europa.
A afinidade com a língua ou as constantes trocas comerciais, com ligações curtas de trabalho, são elos que nos ligam. Não estamos a falar só de comércio e de serviços, mas também sob o ponto de vista das indústrias criativas, da relação com as universidades e da passagem de conhecimento para as indústrias locais, da importância de revitalizar o AvePark ou da consolidação do Instituto de Nanotecnologia, uma referência neste enlace ibérico.
Com um orçamento de 4,8 milhões de euros para este ano, o Eixo Atlântico, em três meses de 2024, já viu serem aprovadas 7 candidaturas a fundos europeus! E, com esta boa gestão do programa comunitário e com um bom nível de saúde financeira, a instituição fortalece-se a cada dia.
Sabemos que existem disparidades económicas - a Galiza é mais rica e exporta mais 460 milhões de euros do que o Norte de Portugal! Temos noção das assimetrias territoriais, bem como a diferença entre a distribuição de fundos europeus, além de uma economia mais pujante do lado galego.
Logo, temos, pois, razões substantivas para adotarmos estratégias de governança que permitam a aproximação entre os dois lados da fronteira, com políticas comuns que não descuram, nem ignorem estas disparidades.
Existem ainda muitos desafios pelo caminho. Não tenho dúvidas que o Eixo Atlântico poderá contribuir para uma maior coesão do nosso território, tornando-o mais resiliente, mais reivindicativo e próximo das pessoas, das empresas, das instituições, do turismo e da mobilidade.

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