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Ideias

2021-01-15 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Donald Trump foi eleito em 2016 Presidente dos Estados Unidos. Sendo um conhecido homem de negócios e uma personalidade famosa da televisão, a sua campanha eleitoral teve uma atenção muito especial dos media, por todo o mundo, e foi marcada por um discurso populista, anti-imigração, nacionalista e protecionista. A sua eleição envolveu muitas polémicas, incluindo a discussão sobre a potencial interferência russa no processo eleitoral através da desinformação e divulgação de notícias falsas, acusações de sexismo e foi caracterizada por uma nova forma de fazer campanha, centrada na sua imagem pessoal e nas redes sociais, a partir de uma abordagem claramente de pendor populista. A eleição de Donald Trump deu força a políticos nacionalistas em todo o mundo; vimos agora, nesta ultima campanha eleitoral, como Orban, primeiro ministro da Hungria, se pronunciou abertamente em favor da vitória de Trump; Bolsonaro e Salvini, por exemplo, no Brasil e na Itália, foram fotografados, o primeiro com um boné da campanha de Trump e o segundo com uma máscara também da mesma. Na verdade, os movimentos da direita mais conservadora, populistas e nacionalistas da chamada “democracia iliberal” beneficiaram enormemente do palco mundial que lhes foi dado por Trump, e nele encontraram legitimidade e inspiração. Têm sido procuradas muitas explicações para este ressurgimento dos movimentos nacionalistas e populistas um pouco por todo o mundo, a que Portugal não fugiu: desde o descontentamento com a classe política, alimentado pela divulgação e exploração de casos de suspeita de corrupção , ao efeito de sucessivas crises económicas e financeiras acompanhando desemprego e estagnação dos salários, ao acesso cada vez mais facilitado ás redes sociais com a divulgação de opiniões à flor da pele, culpabilizando “os outros”.
O slogan central da campanha eleitoral de Trump, em 2016, e de que todos nos lembramos muito bem, foi “make America great again”. Tratava-se de uma expressão já utilizada no passado, por Ronald Reagan durante a eleição para a Presidência dos Estados Unidos em 1980, numa altura em que também a economia se defrontava com uma recessão económica. Mas na verdade a vulgarização da ideia chave, tornar de novo os Estados Unidos orgulhosos de si e do seu papel hegemónico no quadro mundial, seguros e ricos, deve-se a Trump, e claro está, veio também a fazer o seu percurso na Europa, influenciando o Brexit e sendo copiado por diversos políticos na mesma linha populista, por exemplo Marine Le Pen.
Trump foi violando sempre as regras democráticas, por formas insólitas e surpreendentes, mas na verdade este último capítulo a que o mundo todo está a assistir, com a rejeição dos resultados eleitorais, a forte resistência a uma transição pacífica de poder, e finalmente a incitação à violência com o resultado a que todos assistimos pelas televisões, remete para o imaginário de países fortemente anti-democráticos e ditatoriais. O que é certo é que 4 anos depois de tanto ter sido prometido fazer dos Estados Unidos “great again”, a imagem do país nunca esteve pelas ruas da amargura como agora.
Pode ainda assim argumentar-se que apesar de tudo, o efeito das políticas protecionistas de Trump foram positivas, ainda que não necessariamente para o mundo como um todo, mas para os Estados Unidos e os seus cidadãos. Começam agora a surgir os dados estatísticos, que com algum grau de distanciamento e neutralidade, permitem aferir o que se passou. Uma das traves mestra da política comercial americana foi formulada face à China, que desde a década de 80 se tem vindo a converter num poder comercial à escala mundial. Em 2018, a administração Trump introduziu, ou reforçou, uma série de tarifas aos produtos chineses para limitar as trocas comerciais, o que abriu as portas a uma série de retaliações. A ideia é que protegendo as indústrias dos EUA, ficariam protegidos os empregos. No entanto, na verdade, o mundo de hoje está marcado pela existência de redes complexas de negócios, cadeias de valor que integram a transformação dos recursos, componentes e partes de produtos a uma escala global. E o resultado desse protecionismo foi - de facto - uma perda de cerca de 500.000 empregos, só nos dois primeiros anos da administração de Trump, reforçando aliás o que vinha a acontecer desde Bush, conforme um estudo muito recente mostra (Conconi e outros, 2021).
Tanta gabarolice, tanto populismo - para isto.

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