Correio do Minho

Braga,

Ensinar e aprender: na senda do modelo psicopedagógico

Consumidores mais habilitados a comparar comissões bancárias a partir de 1 de outubro

Ideias

2013-06-18 às 06h00

Cristina Palhares

Decorrente do meu último artigo sobre a Escola Inclusiva, e do modelo psicopedagógico então prometido, retive uma frase: a escola inclusiva terá que ser a escola onde se ENSINA e onde se APRENDE. O objetivo da educação, nos tempos atuais, já não é claramente definível e visível. O melhor a que podemos visar é a produção de pessoas inteligentes e adequadas, capazes de enfrentar problemas e situações novas e encontrar soluções apropriadas à época e lugar em que estão a viver. E esse objetivo exige um sistema aberto de pensamento, bem como uma psicologia mais ampla e abrangente para fundamentá-la. (Zenita Guenther).

Pegando nas várias perspetivas sobre a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem, permito-me definir APRENDER: um processo de exploração, descoberta pessoal do significado do conhecimento e reorganização mental que permite mudanças nas estruturas cognitivas, permitindo uma construção pessoal do saber-fazer ao saber-ser. Ressalta desta definição que a aprendizagem não pode ser independente da pessoa que aprende, e esta só acontece quando a pessoa vê nas informações sentido para a sua vida ou para si própria.

Relembrando Piaget, o processo de equilibração através do contínuo e perpétuo ajustamento entre duas estruturas cognitivas, assimilação e acomodação, é o motor da mudança nas estruturas cognitivas e consequente reorganização mental. Assim fica concluída a formação da competência geral dos alunos em que o aluno deve aprender a aprender. Da mesma forma, permito-me também definir ENSINAR: um processo estimulador, inovador, uma atividade de longo prazo, com vista à formação de pessoas adequadas.

Sendo processo estimulador e inovador, pressupõe comunicação entre dois ou mais indivíduos, em situação de troca e de modificações recíprocas, numa organização de saberes em que qualquer conhecimento novo se integra no precedente permitindo a aquisição de outros, na criação de condições para uma autonomia crescente e responsável, no desenvolvimento de uma capacidade de investigação que conduza não à soma de saberes consagrados mas a uma aptidão para julgar.

Como atividade de longo prazo implica que os resultados significantes do ensino só irão aparecer muitos anos depois do professor ter executado o seu trabalho, em que o conhecimento adquirido existe principalmente para ser utilizado, não já, mas daqui a pouco, como tão bem dizia Carl Rogers. A caraterística própria do ensino é comunicar os saber-fazer e os saberes que não são utilizáveis no imediato e que tal-vez nunca o serão, mas que permitirão pelo menos adquirir outros conceitos e adaptar-se às exigências mais diversas.

“Na escola a gente tem tempo”, dizia Snyders. Pena é que a escola não se lembre! E mais: se o ensino não via o “a longo prazo” o tempo não vai mesmo chegar. E por isso, ainda hoje, vemos tantos professores atarefados a cumprir programas e programações, na busca contínua daquilo que é imediato, pelo sucesso educativo já e agora. Como resultado, ainda que pareça paradoxal, nem sempre se cumprem programas e nem sempre há sucesso educativo. Finalmente, o objetivo de todo o funcionamente humano é alcançar adequação pessoal. A procura constante da manutenção e aperfeiçoamento do eu nunca termina.

Os sentimentos de adequação são os que levam as pessoas a alcançarem um alto grau de satisfação e prazer na vida. Cabe aqui ao professor a grande responsabilidade que julgo ainda não estar profundamente reconhecida na formação de pessoas adequadas: “Percebem-se de maneira essencialmente positiva e, como consequência, são livres e abertas à própria experiência, capazes de se aceitarem e aceitarem os outros, e capazes de se identificarem ampla e profundamente com os outros seres humanos. Pessoas adequadas sentem-se suficientemente fortes e seguras para lidar com a vida de maneira aberta, direta, com um mínimo de medo e ameaça.” (Zenita Guenther). Sê-lo-emos por certo. Bem hajam.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.