Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Ensinar a pensar criticamente

A ditadura do automóvel

Voz às Escolas

2019-06-06 às 06h00

Luisa Rodrigues

Aproxima-se o final de mais um ano letivo e, com ele, o culminar de mais uma aventura para todos quantos, conscientes de que a Escola precisava de uma lufada de ar fresco, meteram mãos à obra e continuaram/começaram a desbravar caminho, convictos de que este é, efetivamente, o rumo a seguir se estivermos abertos à mudança, à transformação da Escola.
Na verdade, não me parece que esta abertura seja opcional, embora tenha consciência de que entre a teoria e a prática podem surgir vários contratempos, alguns bem visíveis e outros, pelo contrário, suficientemente bem camuflados para serem facilmente percetíveis.

A Escola atravessa momentos difíceis, decorrentes de alguma falta de visão estratégica de quem decide e continua a insistir em não priorizar, devidamente, um dos setores fundamentais na alteração do estatuto de “subserviência” em que o país se encontra, no entanto, tal não obsta a que coloquemos acima dos nossos interesses, enquanto classe, o futuro daqueles em quem depositamos tantas expectativas.
Por isso, apropriamo-nos da mudança e investimos na difusão dos princípios que estão subjacentes à transformação, partilhando vitórias, frustrações e resultados, o melhor incentivo para a disseminação das práticas pedagógicas que, em consciência, pouco aportam às metodologias que muitos de nós adotávamos, para além da intencionalidade com que o fazemos.

Ao terminar o segundo ano de implementação do projeto que desafiou as escolas a olharem para dentro de si e a priorizarem o papel dos alunos, permitindo-lhes ser coautores no desenvolvimento das competências que os habilitarão a prosseguir, com sucesso, o caminho, chega o momento de avaliar o investimento feito, para aferir do impacto das mudanças introduzidas, perspetivando a definição do plano de ação para o próximo ano letivo.
Dar voz aos diversos intervenientes no processo de transformação da Escola é, sem dúvida, a melhor forma de tomarmos consciência do nível de apropriação e do impacto das medidas transformadoras implementadas, mas ouvir os alunos é, ainda, um exercício de verdadeira cidadania, sobretudo porque a procura de conhecimento e o incentivo à proatividade os dotou de um redobrado sentido crítico e de uma cada vez maior capacidade de expressarem o que pensam.

Da audição dos alunos que frequentam o Agrupamento de Escolas que lidero, concluí que há, ainda, um longo caminho a percorrer, não obstante o excelente trabalho que tem vindo a ser feito, do mesmo modo que concluí que esta nova forma de ser Escola os cativa, os desafia, potencia o desenvolvimento do pensamento crítico e da criatividade, capacidades que contribuirão para que possam intervir, ativamente, na sociedade, confe- rindo, paralelamente, um verdadeiro sentido ao conhecimento que vão adquirindo.
Mas, acima de tudo, surpreendi-me com as transformações já operadas na sua capacidade de análise e no nível das propostas de melhoria que apresentaram, eles, os atores principais na mudança do paradigma de Escola que defendemos.

A partir do próximo ano letivo entra em funcionamento o Conselho Consultivo de Alunos do Agrupamento de Escolas Gonçalo Sampaio, órgão de audição e consulta da Diretora, em que as questões da autonomia e da flexibilidade curricular estarão na ordem do dia, dando provimento ao maior desafio por eles lançado – aumentar o nível de cooperação dos alunos no processo de envolvimento da Comunidade nas transformações operadas, objetivando a sustentabilidade da Escola em que se reveem.

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