Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Ensaio sobre o desencanto

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Ideias Políticas

2016-09-20 às 06h00

Pedro Sousa

Ricardo Rio completa, dentro de dias, três anos de mandato como Presidente da CMBraga.
Recordo-me bem de, na campanha das Autárquicas de 2013, ouvir Ricardo Rio, qual profeta dos tempos modernos, repetir vezes sem conta que encontraria soluções para todos os problemas que, regularmente e muitas vezes de forma acintosa, apontava ao anterior executivo municipal.

Anunciou uma iniciativa que se chamava 'Cem dias, cem medidas', que visava corrigir, em contrarrelógio, um conjunto de problemas que, ao longo dos anos, havia identificado.
Meteu os pés pelas mãos, trocou o 'C's' pelos 'S's' e dessa medida anunciada com pompa e circunstância, marca d’água do novo Executivo, resultou uma mão cheia de nada. Foram, afinal, CEM dias SEM medidas.

O tempo foi passando e, apesar de toda a parafernália e pirotecnia mediática em que a Direita que governa o Município é especialista, o embate com a realidade revelou-se duro, não tendo Ricardo Rio conseguido resolver muito daquilo que prometera.
Mais grave do que isso, tem sido verificar que tem permitido que surjam e se avolumem muitos problemas que não existiam e, também, que muitas valências que fizeram de Braga uma cidade referência no panorama nacional e internacional se desleixassem e descuidassem.

É, hoje, triste verificar que não raras vezes os jardins da cidade estão maltratados, que a viação, por manifesta falta de manutenção, se encontra num estado lastimável, que a varredura e limpeza da cidade já conheceu melhores dias, que há inúmeras ruas do centro que não têm, de todo, iluminação pública.
Se nalguns casos pecou por omissão, noutros pecou por acção errada e desajustada.

A título de exemplo, recordo o caso do GNRation, edifício criado a pretexto da Braga 2012 | CEJuventude que, em 2014, venceu o Prémio Nacional de Regeneração Urbana.
Ricardo Rio e seus pares não descansaram enquanto não descaracterizaram totalmente este equipamento, tendo este perdido muito daquilo que era a sua identidade.

O edifício, pelas mãos do executivo socialista, pretendia assumir-se como uma verdadeira âncora em áreas tão vitais como a arte, a tecnologia, a ciência e inovação, a cultura e a livre criação, como um projecto absolutamente fundamental para a afirmação de um novo modelo estratégico de desenvolvimento para Braga.
Estreitando a cooperação institucional entre a UMinho, o Laboratório Internacional de Nanotecnologia e o GNRation (quiçá num Conselho de Administração partilhado pelas três instituições), estaríamos perante um triângulo absolutamente virtuoso, capaz de impelir Braga rumo ao modernismo, vanguardismo e progressismo.

Infelizmente, o GNRation está, hoje, esmagado pelo tão em voga empreenderismo da direita e, pior, vemos um edifício que se queria jovem, criativo e inovador entregue aos servicismos administrativos e ao recenseamento militar.

Mas as más notícias não se ficam por aqui. Ricardo Rio, que tantas vezes criticou a gestão e as opções do Executivo anterior, toma hoje decisões, ao nível da atribuição de subsídios e de ajustes directos, profundamente duvidosas e nebulosas.

Nunca esquecendo o discurso dos esqueletos no armário e da 'suposta' situação financeira ruinosa que terá herdado na CMBraga, gasta, demasiadas vezes, dinheiro de forma totalmente inadequada e irresponsável, sendo disso exemplo recente a remodelação faustosa e principesca do seu gabinete na Câmara Municipal, onde gastou cerca de oitenta mil euros.

​No meio de tudo, vai procurando através de permanentes festas, festinhas e festarolas, sempre apoiado por uma pesada e cara máquina de propaganda, manter uma espécie de permanente carnaval, na esperança de iludir tudo e todos e convencer que, em Braga, tudo vai bem e nunca estivemos melhor.
Desencanto. Esse é o sentimento que é, hoje, comum às muitas pessoas com quem falo sobre a actual gestão municipal. É tempo de mudar de rumo. A bem de Braga.

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