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Enfermeiros não falharão nem faltarão à chamada!

Comunicação em Crises e Emergências

Enfermeiros não falharão nem faltarão à chamada!

Voz à Saúde

2020-11-21 às 06h00

Humberto Domingues Humberto Domingues

Estamos a viver dias muito difíceis! Parece que nada joga a favor da Sociedade. Os números Covid-19, apesar de avassaladores, já não surpreendem, principalmente os mais atentos, por tudo o que não se planeou ou preveniu.
Sejam as Unidades Hospitalares, sejam as Estruturas Residenciais Para Idosos (ERPI), ou Lares ou Centros de Dia, vivem momentos aflitivos. As Unidades de Cuidados Intensivos (UCIs) estão à beira de esgotar (se não esgotaram já) as suas capacidades. Quase não há camas disponíveis. Tranformam-se Blocos Operatórios (BO) em UCIs, Serviços de Medicina em Unidades de Internamento Covid. Voltam-se a montar estruturas de retaguarda e hospitais de campanha. Mas os Profissionais de Saúde são os mesmos, escassos, esgotados, desmotivados e muitos sem ainda terem gozado férias no presente ano, desde Março-2020 e com turnos acumulados de 10, 12 e até 16 horas seguidas, nomeadamente os Enfermeiros.
O Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, fala permanentemente em abrir camas de cuidados intensivos e contratar Enfermeiros e Médicos “Intensivistas”. Mas como é possível? Como já escrevi, O Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, já várias vezes falou nos Enfermeiros e particularmente dos “Enfermeiros Intensivistas”. E falou com uma ligeireza tal, na contratação destes Enfermeiros, como se abundassem e se fosse ao mercado e pronto, resolvia a questão, contratando e trazendo estes Enfermeiros. Mas não! Não é assim tão fácil e não estão disponíveis “Enfermeiros Intensivistas”! Sr. Primeiro-Ministro, os “Enfermeiros Intensivistas”, tal como das outras especialidades, depois de terminada a licenciatura, demoram muitos anos a adquirir formação, experiência, sabedoria e evidência científica e excelência neste exigente trabalho, que é cuidar de pessoas. Não se formam Enfermeiros Intensivistas com 15 dias ou 1 mês de experiência. Esta é a realidade nua e crua!
A aflição é grande, os recursos são finitos e o autoritarismo e a prepotência associados à ignorância, vagueiam por aí. Vejam, segundo a própria e a imprensa, ao que sujeitaram uma Enfermeira, que no desespero e impotência, teve de recorrer às redes sociais para se queixar e tornar público as anormalidades e desconformidades gritantes que reinavam na instituição onde trabalha.
Neste “Ano Internacional do Enfermeiro”, a “Pandemia Covid-19” veio colocar um grande desafio a estes Profissionais. Apesar da tentativa permanente e negacionista vincada em muitas posições, atitudes e comportamentos dos nossos Governantes – Presidente da República, Primeiro Ministro, Ministra da Saúde e Deputados – os Enfermeiros são a sustentação dos Serviços, das Unidades e Instituições de Saúde. É uma evidência! E esta “Pandemia” neste ano “especial” veio provar mesmo isso.
Hoje, apesar desta evidência e da necessidade que é manifesta e constatada todos os dias, em Portugal os sucessivos governos têm vindo a prejudicar os Enfermeiros, com particular ênfase, os governos socialistas, que destruíram a Carreira de Enfermagem e que negaram, quase até ao limite, a necessidade do reconhecimento dos “Enfermeiros Especialistas”. E hoje, são estes socialistas no governo, os mesmos de outrora, que prometem e precisam de contratar esses mesmos especialistas. Ironia do destino!
O momento é difícil, exige decisões estruturadas, pensadas uniformes e exequíveis. Estas medidas não podem ser avulsas e ao sabor de alguns. Apesar de esgotados, cansados e desmotivados, os Enfermeiros nunca deixarão de tratar, cuidar, ouvir e escutar os Cidadãos doentes, seja numa unidade hospitalar, num lar ou no domicílio. Os Enfermeiros não falharão nem faltarão à chamada, mas também não se vergarão, nem renunciarão aos seus princípios éticos e deontológicos, perante ofertas insultuosas de vouchers ou cabazes, como parece, passarem a estar na moda. Nunca deixarão “ninguém sozinho”, por muitas injúrias, insultos e desvalorização que façam ou tentem fazer. Porque o Enfermeiro, tal como escreveu o Colega Fernando Dias, “não só te dá o primeiro colo como te dá, também, o último olhar, quando todos ou outros já foram embora”.

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