Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Empresários por necessidade

Uma carruagem de aprendizagens

Ideias

2012-09-28 às 06h00

Margarida Proença

As empresas não são organizações homogéneas, de tal forma que descrevendo uma, o estamos a fazer por todas. O seu desempenho no mercado depende das características do ambiente em que concorrem.

A estabilidade política e económica, a rapidez com que funcionam os tribunais, a acessibilidade a fontes de financiamento, a cultura do meio ambiente envolvente, mas também as condições objetivas do setor de atividade a que cada uma pertence, em termos do número de concorrentes que existem no mercado, a relativa maior ou menor facilidade com que aparecerem novos rivais, o acesso à tecnologia, a localização, a sua história, a formação dos seus trabalhadores e a capacidade empresarial dos seus gestores, entre outros fatores, contribuem bastante para explicar as oportunidades e as ameaças com que se defrontam, bem como a eficiência técnica com que operam.


Da mistura de todos estes ingredientes, da capacidade de decisão e de risco de quem toma decisões , dos conhecimento que tem, até mesmo dos seus valores pessoais, resultam as decisões estratégicas que as empresas implementam em termos de preços, de qualidade dos produtos, de lançamento no mercado de produtos novos com sucesso, e finalmente o desempenho da empresa no mercado. Não é fácil; o que nós vemos é o fim do processo: o produto na prateleira com aquela cor, aquele embrulho, aquele preço.

A crise profunda em que estamos, associada em grande parte de um colapso financeiro a nível global e a uma pressão por mais e mais de consumidores, grupos de interesse e políticos, com uma contração muito significativa da atividade económica nacional e internacional, e uma clara perda de controlo macroeconómico, dificultou tudo.

Dada a assimetria de informação, os bancos não conseguem identificar corretamente os “bons” empresários, distinguindo-os dos “maus”, e portanto tendem a seguir comportamentos, digamos, com uma única direção : facilitando ou criando obstáculos. Em Portugal, segundo dados oficiais, entre 1960 e 2011, o rácio entre sociedades constituídas por sociedades dissolvidos variou, conforme se pode ver no gráfico. Mas não foi assim tanto, com a exceção do período entre imediatamente a seguir à adesão á União Europeia, como em 1976. Desde meados da década de noventa que o saldo líquido está a diminuir; por exemplo, em 2011 foram constituídas 31.987 empresas e dissolvidas, pelas mais variadas razões , 32.473. Em 2009 o valor foi mais baixo ainda.

A crise económica , e é claro o desemprego, trouxeram um novo termo - os empreendedores por necessidade, diferenciando-os dos empreeendedores por oportunidade.

Neste caso, estão pessoas que criam uma empresa motivados fundamentalmente por uma oportunidade que identificam no mercado, ou pelo desenvolvimento de um produto tecnológicamente novo , ou com forte diferenciação em termos de design ou qualidade. Os empreendedores por necessidade procuram criar o seu próprio emprego, assegurando a sua manutenção; se não estivessem desempregados a empresa não seria constituída.

A questão que se coloca , que está aliás a começar a ser estudada com algum interesse, é o seu impacto em termos de criação de emprego e rendimento adicional, e logo, em termos de política económica. Assim de repente, embora precise de estudos cuidadosos que se não conhecem para Portugal, parece que seria importante repensar a discussão tanto na moda de empreendedorismo.

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