Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Emprego e inserção profissional dos jovens diplomados, uma responsabilidade de todos

A Europa paga aos agricultores para não produzirem?

Escreve quem sabe

2018-10-14 às 06h00

Manuel Barros

Ao revisitar, por razões académicas, uma comunicação que proferi como orador convidado, no âmbito de um curso de “Empreendedorismo para Mulheres”, organizado pela Studiaforum que decorreu no Centro Cultural de Fermentões, em outubro de 2004, pela sua atualidade, decidi dedicar a esta crónica um dos seus capítulos, em relação às trajetórias sociais e profissionais dos nossos jovens diplomados, independentemente, do sexo e da condição socioeconómica ou cultural.
Um problema para o qual, em minha opinião, ainda não encontramos uma solução consistente. Quer pelo conjunto de predisposições e aspirações pessoais, quer pelo conjunto de constrangimentos que a cada momento impedem, retardam e desviam, quer pelas oportunidades que incentivam a inserção na vida ativa dos jovens diplomados.
Os diplomados que não possuem experiência, ou que a tenham desenvolvido através de estágios, que não vão de encontro às necessidades dos empregadores, tendem a ser relegados para o fim de uma fila de espera na qual podem cristalizar, tornando-se desempregados de longa duração, com a agravante de nunca terem tido, alguma vez um emprego. O empreendedorismo é a este nível, um repositório paradigmático de incubação de experiências e competências profissionais.
O ensino profissional e superior não pode furtar-se à tarefa de “produzir” profissionais, dotados de capacidades e competências necessárias à sua rápida integração numa determinada atividade profissional. Sem, no entanto, perder o objetivo de formar intelectualmente cidadãos com criatividade e originalidade, possuidores de capacidade cognitiva adequada à rápida aquisição de conhecimentos ao mais alto nível, promotoras do desenvolvimento e transformação sociais (Morgado; 2001: 80).
Numerosas investigações sobre as relações entre o sistema educativo e de formação e o emprego, constatam um desajuste entre a oferta de formação e as necessidades do mercado ao nível quantitativo e qualificativo. Acrescendo ainda, a insistência dos empregadores em privilegiar o recrutamento de recursos humanos com experiência profissional comprovada, dirigindo-se a ofertas de emprego na sua maioria para quem já está empregado. Situação que se agudiza com ambientes de conjuntura desfavorável.
Apesar das melhorias e da evolução, estas faltas de adequação com os postos de trabalho disponíveis no mercado inscrevem-se, segundo Mereces Fonseca da Universidade de Barcelona, na provisão insuficiente de conhecimentos profissionais e na escassa contribuição para a aquisição deste tipo de competências (2001:41). Esta académica, adianta mesmo, a criação de um sistema de orientação profissional, baseado em indicadores resultantes de estudo dos percursos de transição dos diplomados para o mercado de trabalho, onde poderão ser detetadas as potencialidades e as lacunas de formação.
Uma ideia, decorre de um documento publicado pela Conferência de Reitores da União Europeia em 1998, com o título “A Responsabilidade que as Universidades têm que Assumir com os seus Graduados”, que incidia a informação dos jovens antes e durante os ciclos de formação e sobre o desenvolvimento de carreiras. Na informação dos diplomados ou futuros diplomados, sobre a passagem para o mercado de trabalho; na formação ao longo da vida (long life learning).
A empregabilidade e a mobilidade são excelentes segmentos da relação do ensino e de formação com a envolvente nacional e transnacional, que implicam o aperfeiçoamento das alavancas facilitadoras da inserção dos diplomados na vida ativa. Criando condições e oportunidades de construção dos alicerces de uma mão-de-obra qualificada, dotada não apenas de formação científico técnica, mas também de experiências pessoais, competências profissionais adaptadas ao ambiente de mudança social, cultural e económica.
Uma resposta que tem sido dada, através dos estudos sobre as experiências levadas a efeito dentro e fora das universidades e dos institutos politécnicos. Nos gabinetes de saída profissionai, nos observatórios de emprego dos diplomados, nos estágios profissionais e curriculares. Um manancial de medidas concretas, que tem merecido a passividade, apesar o esforço e das boas intenções do ensino profissional e do ensino superior, do setor empresarial e da economia social e, dos cidadãos, pela passividade em relação a um conjunto de atropelos que desvirtuam e enviesam de forma impune, este processo crucial para a promoção do emprego e da competitividade da nossa economia.
Um desperdiço de talentos de exceção cada vez mais acentuado, que se reflete na fuga de jovens quadros para outros países, onde se destacam par o orgulho de todos nós. Sem nos damos conta que podiam estar entre nós a trabalhar nas nossas empresas, nos nossos centros de investigação, nos nossos hospitais, nas nossas escolas, nos nossos hotéis e nas nossas instituições sociais e culturais.
Enfim, o nosso país que pagou com os seus impostos, uma formação de excelência, infelizmente, continuamos a não saber aproveitar. Para os que ficam, pelos mais diversos motivos, reservamos uma atitude de desprezo, de desrespeito e de uma “atitude caritativa” confrangedora, que se reflete no “enfado” de os admitir para um estágio, muito vezes, fundamental, para terminar a sua formação profissional e/ou académica.
O Emprego e a inserção sustentada dos jovens diplomados no mercado de trabalho, são problemas reais que exigem uma resposta urgente e, deve ser uma responsabilidade de todos.

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