Correio do Minho

Braga, sábado

- +

Empregabilidade: um processo de responsabilidade repartida

Tão só curiosidades

Escreve quem sabe

2015-05-03 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

A mobilidade e o emprego são segmentos da relação do sistema educativo e de formação profissional com a envolvente nacional e transnacional, que implicam o aperfeiçoamento das alavancas facilitadoras da inserção dos jovens na vida activa.
Uma relação que assenta em programas facilitadores de condições e oportunidades de construção dos alicerces de uma mão-de-obra qualificada, dotada não apenas de formação científico técnica, mas também de experiências pessoais, competências adaptadas ao ambiente de mudança social, cultural e económica das sociedades modernas.
Comunicação que determina uma articulação em rede, constituída pelos principais agentes intervenientes no processo de transição, potenciais empregadores públicos e privados, as instituições de enquadramento e de mediação do emprego, através da inventariação das dificuldades e potencialidades da formação/qualificação e de gestão e implementação de medida e programas de interface com o mundo do trabalho.
O nosso sistema educativo, nos seus diversos níveis, é pouco empreendedor. Sendo esta, uma das conclusões de um outro estudo da Comissão Europeia, levado a efeito com base num conjunto específico de indicadores chave. Foram retractados o ensino do empreendedorismo no básico e secundário, a formação de professores na temática, na cooperação com as empresas na promoção da capacidade de iniciativa e nas disciplinas e actividades desenvolvidas nesta área no ensino superior, onde em relação ao nosso país se constatou um panorama pouco animador.
O ensino superior não pode furtar-se à tarefa de “produzir” profissionais, dotados de capacidades e competências necessárias à sua rápida integração numa determinada actividade profissional. Sem, no entanto, perder o objectivo de formar intelectualmente cidadãos com criatividade e originalidade, dotados de capacidade cognitiva adequada à rápida aquisição de conhecimentos ao mais alto nível.
Numerosas investigações sobre as relações entre o ensino superior e o emprego, constatam um desajuste entre a oferta de formação e as necessidades do mercado ao nível quantitativo e qualificativo. Acrescendo ainda, a insistência dos empregadores em privilegiar o recrutamento de recursos humanos com experiência profissional comprovada, ou seja dirigindo-se a ofertas de emprego na sua maioria para quem já está empregado. Situação que se agudiza com ambientes de conjuntura desfavorável, como é a que vivemos neste momento
Esta falta de adequação das formações académicas com os postos de trabalho disponíveis no mercado inscrevem-se, segundo Mercedes Fonseca da Universidade de Barcelona, na provisão insuficiente de conhecimentos profissionais e na escassa contribuição da universidade para a aquisição deste tipo de competências.
Esta académica, adianta mesmo, a criação de um sistema de orientação profissional, baseado em indicadores resultantes do estudo dos percursos de transição dos diplomados para o mercado de trabalho, onde poderão ser detectadas as potencialidades e as lacunas de formação.
No documento Universidade 2000, segundo a mesma autora, deu-se um passo importante no reforço do papel da informação. Como um serviço de assessoria, e no sentido de tornar mais transparente a oferta de cursos e facilitar um conhecimento mais profundo das saídas profissionais e de procura de emprego, considerando este apoio “o ponto de enlace básico entre os estudantes e a sociedade” .
A construção de um projecto de vida é o culminar deste processo. Enquanto orientador de um conjunto de actividades desenvolvidas dentro e fora da universidade. Actividades viradas param a construção de uma identidade, como forma de auto-responsabilização em todas as fases da incubação da carreira profissional.
Uma dinâmica sustentada e tutorada pelos estabelecimentos de ensino e de formação profissional, numa perspectiva de responsabilidade repartida, funcionando como um ponto de ligação com a envolvente institucional, empresarial, económico e social, poderá assentar em projectos de formação em alternância, estágios curriculares, estágios profissionais, acções integradas em contratos de prestação de serviços, incubação de projectos a acrescentar aos mecanismos existentes.
Esta dinâmica proactiva junto do mercado terá vantagens bilaterais, ao nível da transferência de conhecimento científico e tecnológico, e do desenvolvimento da competitividade do sector produtivo e consequentemente ao nível da inserção profissional dos jovens. Implica a sua responsabilização e envolvimento directo neste processo, durante o seu percurso de formação inicial e/ou pós-graduada. Uma atitude alargada a todas as áreas de conhecimento, com o objectivo estratégico de promover uma participação mais eficaz, na aquisição de competências de acesso e contacto com o mercado de trabalho
O diploma já não constitui definitivamente, uma garantia inequívoca de obtenção de emprego. As mudanças do sector produtivo que impossibilitam o planeamento de longo prazo das carreiras profissionais. São indicadores que implicam um conjunto de competências científicas, técnicas, pessoais e profissionais de grande flexibilidade. Pensar o emprego deverá, seguramente, representar um exercício de reequacionamento do conceito de inserção profissional, no contexto de sociedade do conhecimento.
Nesta perspectiva, a inserção profissional não se reduz à “obtenção de emprego em que se articula diplomado e posto de trabalho”, é um processo dialéctico muito mais longo e complexo, que se constrói ao longo do percurso de formação, através da incubação de competências profissionais, sustentadas pelo conhecimento científico e tecnológico, assentes numa dimensão experimental e prática (formal e sobretudo em contexto não formal. Uma dinâmica de construção pessoal e social de formação profissional, ao longo do qual, o estudante vai construindo a sua identidade e o seu projecto de vida, que envolve expectativas, aspirações motivações e interesses.

Deixa o teu comentário

Últimas Escreve quem sabe

21 Fevereiro 2020

O desasado

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.